Conselho de Segurança: os EUA saíram de reunião do principal órgão decisório da ONU (UN Photo/Mark Garten/Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 27 de julho de 2026 às 15h38.
Os Estados Unidos abandonaram uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) após críticas da França à sua atuação em temas de direitos humanos. A saída da delegação norte-americana ocorreu depois de representantes franceses compararem os votos dos EUA aos de países como Coreia do Norte, Rússia e Nicarágua.
A retirada aconteceu nesta segunda-feira, 27, durante uma sessão do Conselho de Segurança dedicada à guerra na Ucrânia.
A delegação dos Estados Unidos deixou o plenário no momento em que o embaixador francês iniciou sua intervenção, em um gesto de protesto considerado incomum no principal órgão decisório da ONU.
O representante dos Estados Unidos na Assembleia Geral e integrante da delegação americana, Dan Negrea, classificou as declarações francesas como uma "encenação enganosa".
"Há um membro deste conselho que finge indignação moral e pretende dar lições ao restante de nós sobre todos os assuntos", afirmou.
Segundo Negrea, foi por esse motivo que a delegação decidiu deixar a sala durante o discurso da França.
A saída de uma delegação durante uma reunião do Conselho de Segurança é considerada um episódio raro, especialmente porque Estados Unidos e França são membros permanentes do órgão e possuem poder de veto.
O atrito teve início após uma votação realizada na última sexta-feira, 24, na Assembleia Geral da ONU. Na ocasião, os Estados Unidos integraram um grupo de dez países que votaram contra a renovação do mandato de Volker Türk como alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Na votação, Washington ficou ao lado de países como Coreia do Norte, Rússia e Nicarágua.
Após o resultado, a missão da França junto às Nações Unidas em Genebra publicou uma mensagem criticando a posição americana.
"Os Estados Unidos costumavam ser um farol dos direitos humanos. Já não são mais. Hoje, estão ao lado da Coreia do Norte, da Nicarágua, do Mali e da Rússia, isolados. E o mundo já não os escuta", afirmou a representação francesa.
Em resposta, Negrea rebateu as críticas e defendeu a atuação de Washington.
"Os Estados Unidos continuam sendo o farol da liberdade para o mundo. Como tal, não lhes concederemos o privilégio de ouvir sua verborragia politizada", declarou o representante americano antes de a delegação deixar a sessão.