Repórter
Publicado em 7 de maio de 2026 às 08h30.
O Chile confirmou ao menos 39 casos de hantavírus e 13 mortes pela doença em 2026, segundo informou o Ministério da Saúde chileno à agência EFE. O número representa uma taxa de letalidade de 33%, acima dos 18% registrados em 2025.
Os casos foram identificados em nove das 16 regiões do país, principalmente no centro e sul chileno, incluindo a Região Metropolitana de Santiago, além de O’Higgins, Maule, Ñuble, Biobío, Araucanía, Los Ríos, Los Lagos e Aysén.
No ano passado, o país havia registrado 44 casos e oito mortes pela doença. Entre 2020 e 2024, o Chile contabilizou entre 30 e 70 infecções anuais, com taxa média de letalidade de 26%.
Segundo o Ministério da Saúde, o aumento da mortalidade neste ano pode estar ligado às condições dos pacientes e ao atraso no diagnóstico.
“A maior letalidade pode ser relacionada com fatores próprios dos pacientes e a oportunidade no diagnóstico”, informou a pasta.
O hantavírus responsável por três mortes em um cruzeiro no Oceano Atlântico foi identificado como pertencente à cepa Andes, a única com transmissão entre humanos já documentada, segundo confirmação de um laboratório que colabora com a Organização Mundial da Saúde.
A identificação foi feita a partir de uma amostra coletada via PCR de um passageiro do navio MV Hondius, de acordo com o Centro de Doenças Virais Emergentes dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG).
A informação foi repassada às autoridades de saúde da Suíça e à Organização Mundial da Saúde.
O cruzeiro partiu da Argentina e registrou os primeiros casos no início de abril. Um passageiro holandês apresentou sintomas e morreu no dia 11.
Sua esposa, que também desenvolveu sintomas, desembarcou na ilha de Santa Helena e seguiu para Joanesburgo, onde morreu no dia seguinte.
Uma terceira vítima, uma cidadã alemã, morreu em 2 de maio após apresentar sinais de pneumonia.
O governo da Espanha indicou a ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias, para receber passageiros e tripulação do navio, que permanece próximo à costa de Cabo Verde sem autorização para atracar.
A proposta, no entanto, enfrenta resistência de autoridades regionais das Canárias, que citam preocupações de segurança.
O governo da Holanda informou que prepara a evacuação de três passageiros em estado grave, com apoio à operadora do cruzeiro, a Oceanwide Expeditions.
Autoridades de Cabo Verde confirmaram a chegada de uma aeronave médica ao país para realizar o transporte dos doentes, já que o navio não recebeu permissão para atracar em portos locais.
O caso amplia a preocupação internacional por envolver uma variante rara do vírus e levanta dúvidas sobre o controle da transmissão em ambientes confinados, como embarcações.
O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores selvagens infectados, como ratos e camundongos, que eliminam o vírus por meio de saliva, urina e fezes.
A infecção humana pode ocorrer ao inalar partículas contaminadas, ao entrar em contato com esses animais ou, em casos raros, por mordidas.
O vírus recebeu esse nome a partir do rio Hantan, na Coreia do Sul, onde foi identificado durante a Guerra da Coreia.
Segundo autoridades de saúde, a transmissão entre pessoas é extremamente incomum e foi registrada apenas em um tipo específico do vírus.
Ainda assim, o contexto do cruzeiro levanta preocupações por envolver um ambiente fechado e circulação internacional de passageiros.
A OMS afirma que infecções por hantavírus são raras e, em geral, não se espalham facilmente entre humanos.
Os primeiros sintomas costumam se assemelhar aos de uma gripe, com febre, dor de cabeça e dores musculares. Em alguns casos, há relatos de sintomas gastrointestinais, como os observados nos passageiros do navio.
Com a progressão, a doença pode evoluir para quadros mais graves, incluindo dificuldade respiratória, comprometimento cardíaco ou disfunção renal, dependendo da variante do vírus.
Existem duas formas principais associadas à infecção: a febre hemorrágica com síndrome renal, mais comum na Europa e na Ásia, e a síndrome pulmonar por hantavírus, predominante nas Américas.
O diagnóstico é feito por exames laboratoriais que identificam anticorpos específicos. Não há vacina nem tratamento antiviral específico para o hantavírus, e o atendimento é baseado no suporte clínico.
A taxa de mortalidade pode variar conforme a variante do vírus, chegando a cerca de 15% dos casos, segundo autoridades de saúde.