Petróleo: Venezuela prevê ampliação da produção de petróleo (Getty Images/Getty Images)
Repórter
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 16h41.
A Venezuela planeja elevar sua produção de petróleo em 18% até o fim de 2026, impulsionada por uma proposta de reforma legal que amplia o acesso de empresas privadas ao setor energético. O anúncio foi feito neste sábado, 24, pelo presidente da estatal PDVSA, Héctor Obregón.
A medida ocorre após a queda do ex-presidente Nicolás Maduro e em meio à forte pressão internacional.
Segundo Obregón, a produção atual da PDVSA, estimada em 1,2 milhão de barris por dia, deve crescer ainda mais com o novo marco regulatório. O Parlamento venezuelano já aprovou a proposta em primeira votação e deve concluir a tramitação na próxima semana.
A iniciativa venezuelana contrasta com o cenário projetado pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em ingl§es) para 2026.
Segundo relatório da entidade, divulgado na última quarta-feira, 21, o crescimento da demanda global será de apenas 930 mil barris por dia, enquanto a oferta deve aumentar em 2,5 milhões de barris por dia, ampliando o já existente superávit global.
Em 2025, a produção mundial subiu 3 milhões de barris por dia, com destaque para países não pertencentes à OPEP+, como Estados Unidos, Canadá, Brasil, Guyana e Argentina. A IEA afirma que, mantidas as atuais políticas de produção, os estoques elevados — tanto em terra quanto no mar — formarão um colchão de segurança no mercado global, mantendo os preços sob controle.
Segundo a agência, estoques observados cresceram 470 milhões de barris em 2025, com destaque para China e Estados Unidos. Em novembro, o aumento foi de 75 milhões de barris, impulsionado por volumes de petróleo transferidos para terra firme.
A recuperação da demanda por petroquímicos deverá ser parcialmente compensada pela desaceleração do consumo de gasolina. A expectativa é de que os países fora da OCDE respondam por todo o crescimento da demanda em 2026.
A IEA também alerta para novas incertezas relacionadas às exportações de Venezuela e Irã, devido a tensões regionais.
No início de janeiro, os preços do petróleo Brent subiram cerca de US$ 6 por barril com os conflitos envolvendo os dois países, mas voltaram a recuar à medida que o risco geopolítico foi absorvido.
As exportações venezuelanas recuaram de 880 mil barris por dia em dezembro para cerca de 300 mil no início de janeiro, impactadas por sanções e bloqueios a navios-tanque. Ainda assim, a estratégia da PDVSA mira na reativação da indústria nacional com apoio estrangeiro direto — uma equação que ainda enfrentará pressões políticas e logísticas para se concretizar.