Vitol: John Addison, um operador sênior da companhia, já doou cerca de US$ 6 milhões à campanha de reeleição de Trump. (CHIP SOMODEVILLA /Getty Images)
Repórter de Mercados
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 11h17.
A Vitol liderou a primeira venda de petróleo bruto venezuelano autorizada pelos Estados Unidos, num negócio que somou US$ 250 milhões. John Addison, um operador sênior da companhia em Houston, já doou cerca de US$ 6 milhões à campanha de reeleição de Donald Trump.
O executivo doou US$ 5 milhões em outubro de 2024, além de mais de US$ 1 milhão a outros dois comitês alinhados ao republicano, segundo o banco de dados do OpenSecrets. Além disso, Addison se reuniu com Trump na sexta-feira anterior ao anúncio do acordo, acompanhado de Ben Marshall, chefe da operação da Vitol nos EUA. A empresa foi a única com dois executivos na reunião, segundo informações do Financial Times.
À publicação britânica, a Vitol afirmou que as doações foram feitas a título pessoal. Também ao jornal, a Casa Branca declarou que Trump sempre age pelo interesse do povo americano, e classificou as suspeitas de conflito de interesse como “tentativas cansativas da mídia de desviar o foco”.
Além da Vitol, a Trafigura — outra gigante global de trading — também comprou US$ 250 milhões em petróleo da Venezuela. A empresa gastou US$ 525 mil em lobby nos EUA entre 2024 e 2025, também de acordo com o OpenSecrets.
O primeiro carregamento de petróleo venezuelano comprado pelas traders chegou na quinta-feira ao terminal de Bullen Bay, em Curaçao, segundo o primeiro-ministro da ilha. O terminal, construído pela Shell, comporta superpetroleiros com mais de 1 milhão de barris — tipo que não consegue atracar em portos americanos por causa da profundidade insuficiente dos canais
Após a captura do líder chavista Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, Washington afirma que manterá o controle da indústria petrolífera venezuelana por tempo indeterminado. Um embargo naval foi imposto ao país, e o governo americano passou a incentivar petrolíferas ocidentais a investir até US$ 100 bilhões para reconstrução da infraestrutura e aumento da produção local.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, declarou na quinta-feira que o petróleo venezuelano foi vendido com prêmio de 30% em relação ao valor obtido pela gestão anterior de Maduro. Por causa das sanções, Caracas vinha sendo forçada a oferecer seu petróleo com desconto, sobretudo a pequenas refinarias chinesas.
A Casa Branca quer que a maioria do petróleo seja direcionada a compradores americanos. À Financial Times, Vitol e Trafigura não comentaram se há restrições quanto à revenda para outros mercados.
A Chevron, única petroleira americana com presença consolidada na Venezuela, negocia com autoridades dos EUA para ampliar sua licença e exportar mais petróleo. A empresa gastou US$ 9,2 milhões em lobby e doou US$ 10 milhões a campanhas em 2024, em sua maioria para republicanos.
O setor de petróleo foi um dos maiores financiadores da campanha de Trump, ainda de acordo com a Financial Times. Em maio de 2024, o ex-presidente se reuniu com executivos em Mar-a-Lago e prometeu afrouxar regulações ambientais caso recebesse apoio financeiro.