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Trump pressiona Otan pela anexação da Groenlândia

Presidente norte-americano afirmou que a integração do território é "vital' para a construção do Domo de Ouro, projeto de defesa militar

Domo de Ouro: projeto de defesa militar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve custar R$ 1 trilhão.  (Casa Branca/Divulgação)

Domo de Ouro: projeto de defesa militar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve custar R$ 1 trilhão. (Casa Branca/Divulgação)

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 11h50.

Última atualização em 14 de janeiro de 2026 às 12h28.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para a integração da Groenlândia como território americano.

Em publicação feita pelo Truth Social, o republicano afirmou que a anexação do território aos EUA é fundamental para a construção do projeto Domo de Ouro, um sistema de defesa aérea desenvolvido para impedir a entrada de mísseis em território americano.

"A Otan deveria liderar o caminho para que nós a obtenhamos. Se isso não acontecer, a Rússia ou a China farão, e isso não vai acontecer", escreveu Trump.

O presidente norte-americano afirmou que a Otan se tornaria muito mais "formidável" com a Groenlândia na "mão dos Estados Unidos". "Qualquer coisa menos do que isso é inaceitável", concluiu.

Como funciona Domo de Ouro

O projeto, apresentado em maio de 2025, trata-se de um sistema de defesa aérea desenvolvido para impedir a entrada de mísseis em território americano, semelhante ao utilizado por Israel para interceptar foguetes e mísseis disparados por seus inimigos regionais. Segundo Trump, a iniciativa deverá custar cerca de US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 1 trilhão) e a expectativa é de que esteja concluída até o final de seu mandato, em 2029.

O programa tem como objetivo criar uma rede composta por centenas de satélites, capazes de detectar, rastrear e, se necessário, interceptar mísseis. A proposta é que o sistema atue em todas as fases de um possível ataque: antes do lançamento, durante o trajeto e nos momentos finais, pouco antes do impacto.

O novo projeto é concebido como a finalização de uma visão ambicionada inicialmente pelo ex-presidente Ronald Reagan, cujo sistema de defesa antimísseis Strategic Defense Initiative, Otanapelidado de "Star Wars", envolvia objetivos excessivamente ambiciosos e nunca foi concluído. Ele seria um sistema de defesa antimísseis de última geração.

Agora, décadas depois, o governo Trump retoma essa ambição com o "Domo de Ouro", ainda que o otimismo do presidente contraste com a cautela de especialistas do setor, que demonstram ceticismo quanto ao cronograma e ao custo estimado do projeto.

— O novo ponto de referência é US$ 175 bilhões, mas a questão permanece: por quanto tempo? Provavelmente serão 10 anos — afirmou Tom Karako, analista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), em entrevista à agência Reuters.

Ele acrescentou, que a expertise em software do Vale do Silício e de outras partes dos Estados Unidos pode ser aproveitada para impulsionar avanços no projeto, integrando tecnologias emergentes aos sistemas de defesa antimísseis já existentes.

Inspiração no 'Domo de Ferro' de Israel

O nome "Domo de Ouro", escolhido para o projeto americano, faz referência ao sistema de defesa israelense conhecido como "Domo de Ferro", em operação desde 2011. Esse sistema tem sido fundamental para a neutralização de milhares de foguetes lançados contra o território de Israel. Segundo a empresa de defesa Rafael, que participou do desenvolvimento, a taxa de interceptação do "Domo de Ferro" gira em torno de 90%.

Israel começou a desenvolver o sistema após a guerra contra o Hezbollah, em 2006. Posteriormente, os Estados Unidos contribuíram com apoio técnico especializado e bilhões de dólares em financiamento para viabilizar sua implantação.

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