Nicholas Zimmerman, fundador da consultoria Dinâmica Americas e ex-diretor para o Brasil no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, na gestão de Barack Obama (Divulgação/Amcham)
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 15h11.
Apesar da proximidade anterior com a família Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve dar um endosso à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, avalia Nicholas Zimmerman, fundador da consultoria Dinâmica Americas e ex-diretor para o Brasil no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, na gestão de Barack Obama.
"Neste momento, dada a famosa química entre os presidentes Trump e Lula eu diria que, neste momento, não é super provável que Trump faça um endosso muito forte pro senhor Flávio Bolsonaro ou outro candidato", disse Nicholas Zimmerman, durante um evento da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), em São Paulo, na sexta, 30.
"Acho pouco provável, nesta altura do jogo, que o presidente Trump vá investir forte na eleição brasileira. A eleição na Colômbia deverá ter mais atenção de Washington, e os Estados Unidos terão eleições no Congresso. A atenção da Casa Branca vai ficar mais dividida", disse.
"Isso não quer dizer que outros círculos, outros membros do Partido Republicano não vão dizer alguma coisa. Poderia surgir algum lobista, como um Roger Stone, que fale alguma coisa por alto no Twitter, e essas pessoas acabam tendo uma certa influência na Casa Branca", afirmou.
Zimmerman disse também que a família Bolsonaro tem proximidade com alguns deputados republicanos, mas que o comportamento deles vai depender muito da relação direta entre os dois chefes de Estado.
O analista disse, ainda, que a relação entre Lula e Trump esteja em um bom momento, as coisas podem mudar rapidamente, pois o líder americano é "imprevisível".
Como exemplo, ele citou a relação entre Trump e o premiê indiano Narendra Modi, que foi boa durante muito tempo, mas de repente o americano mudou de postura e taxou a Índia em 50%, ao ver que empresas estavam trocando a China pela Índia.
"Estamos falando sobre dois líderes com bastante capacidade, bastante história no panorama global e com visões bem diferentes. Então, não é difícil imaginar uma conversa entre os dois dando errado, como sobre a Venezuela", diz.
Zimmerman também avalia que a relação entre o Brasil e os EUA tem se tornado cada vez mais centrada na política do que os presidentes no poder, em vez de ser uma relação entre Estados, com prioridades e estratégias mais duradouras.
"Isso começou quando o ex-presidente Bolsonaro endossou a reeleição do Trump, em 2020. Pegou muito forte o deputado Eduardo Bolsonaro usando o boné MAGA. O Partido Democrata nunca esqueceu disso", afirma.
O ex-diplomata aponta que este movimento ganhou força com a aproximação entre Lula e o presidente Joe Biden e Kamala Harris, que disputaram a eleição contra Trump em 2024. "A política [entre os dois países] tem ido cada vez mais neste sentido, e acho que nunca vamos voltar para trás", avalia.