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Tremembé dos EUA: Maduro está em prisão dos famosos descrita como 'inferno na Terra'

P. Diddy, R. Kelly e El Chapo são alguns dos ilustres detentos no histórico do Metropolitan Detention Center

Metropolitan Detention Center: penitenciária onde Maduro passou a noite (MDC), no Brooklyn (Jim Henderson | Domínio Público)

Metropolitan Detention Center: penitenciária onde Maduro passou a noite (MDC), no Brooklyn (Jim Henderson | Domínio Público)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 07h53.

Última atualização em 4 de janeiro de 2026 às 08h48.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, passou sua primeira noite sob custódia nos Estados Unidos no Metropolitan Detention Center (MDC), uma penitenciária federal localizada no Brooklyn, em Nova York, conhecida tanto por abrigar presos de alto perfil quanto por suas condições degradadas.

Maduro chegou aos Estados Unidos na noite deste sábado, 3, foi inicialmente levado ao Departamento de Combate ao Narcotráfico dos EUA (DEA, na sigla em inglês) e, em seguida, transferido para o centro de detenção federal.

O MDC Brooklyn é a única prisão federal em funcionamento na cidade de Nova York. Construído nos anos 1990 para aliviar a superlotação do sistema prisional local, o complexo abriga cerca de 1.300 detentos e funciona como unidade de custódia provisória: a maioria dos presos está ali aguardando julgamento nas cortes federais de Brooklyn e Manhattan. Após eventual condenação, os detentos costumam ser transferidos para outras instituições do sistema federal.

A prisão ganhou fama por receber o que a imprensa americana chama de celebrity prisoners. Já passaram por suas celas nomes como o narcotraficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán, a socialite Ghislaine Maxwell, o fundador da FTX Sam Bankman-Fried e o cantor R. Kelly. Atualmente, também estão detidos ali o rapper Sean “Diddy” Combs e o suposto líder do cartel de Sinaloa, Ismael “El Mayo” Zambada García. A possível permanência de Maduro no local ainda não foi oficialmente confirmada pela administração da unidade.

Condições descritas como desumanas

Apesar da lista de detentos famosos, o MDC é amplamente criticado por suas condições internas. Juízes federais já classificaram o centro como “bárbaro” e “desumano”, chegando, em alguns casos, a reduzir penas para compensar o período de prisão preventiva vivido no local. Relatos de presos e autoridades apontam para alimentação contaminada, falta de atendimento médico adequado, longos períodos de confinamento e escassez crônica de funcionários.

Segundo denúncias citadas por parlamentares estaduais de Nova York, o ambiente no MDC é marcado por negligência e violência. O Departamento de Justiça dos EUA reconheceu ao menos um caso em que um agente penitenciário usou spray de pimenta contra um detento em crise de saúde mental; o homem foi algemado e morreu pouco depois. Mortes violentas também foram registradas recentemente dentro da unidade, reforçando a reputação do presídio como um dos mais problemáticos do sistema federal.

A situação estrutural da prisão já levou a crises de grandes proporções. Em janeiro de 2019, uma queda prolongada de energia deixou o prédio às escuras por quase uma semana, expondo presos a temperaturas congelantes e a condições sanitárias precárias, com banheiros inoperantes dentro das celas. O episódio resultou em uma investigação do Departamento de Justiça e, posteriormente, em um acordo judicial que garantiu cerca de US$ 10 milhões em indenizações a aproximadamente 1.600 detentos.

Descrito por ex-presos como um ambiente “infernal”, o MDC impõe uma rotina austera. As celas medem, em média, cerca de 2,4 por 3 metros, com camas de aço, colchões finos de pouco mais de três centímetros e ausência de itens básicos, como travesseiros. Em alas de isolamento, o espaço para circulação é ainda mais restrito. “É um lugar muito difícil para qualquer preso”, afirmou à CNN Michael Cohen, ex-advogado pessoal do presidente Donald Trump, que já esteve sob custódia federal.

Em resposta às críticas, o Departamento Federal de Prisões afirma ter criado uma força-tarefa para revisar as condições do MDC Brooklyn, reforçar o quadro de funcionários e acelerar reparos estruturais. As autoridades dizem que o trabalho está em andamento, mas defensores públicos e advogados seguem questionando a capacidade da unidade de garantir condições mínimas de dignidade.

É nesse cenário que Nicolás Maduro passou sua primeira noite detido em solo americano, em uma prisão que, apesar de abrigar alguns dos nomes mais conhecidos do crime e do noticiário internacional, se tornou símbolo das falhas mais graves do sistema penitenciário federal dos Estados Unidos.

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