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Tempestade de neve nos EUA deixa 1 milhão sem luz e cidades cobertas de neve

Fenômeno é considerado um dos mais severos das últimas décadas, segundo o NWS

Nova York: nevasca e gelo atingem dezenas de estados, provocam apagões, mortes e paralisação do transporte aéreo. (Craig T Fruchtman/Getty Images)

Nova York: nevasca e gelo atingem dezenas de estados, provocam apagões, mortes e paralisação do transporte aéreo. (Craig T Fruchtman/Getty Images)

Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 07h35.

Uma tempestade de inverno de grandes proporções avançou do sul e do centro-oeste para o nordeste dos Estados Unidos neste domingo, 25, após atingir dezenas de estados com temperaturas extremas, nevascas intensas e acúmulo de gelo que provocaram apagões, paralisação do transporte aéreo e desabastecimento em supermercados.

Autoridades classificam o fenômeno como um dos mais severos das últimas décadas no país.

De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS), o sistema trouxe riscos considerados potencialmente “catastróficos”, com impactos que devem se estender ao longo da próxima semana. Ao todo, 20 estados e o Distrito de Columbia decretaram estado de emergência diante do avanço da massa de ar ártico.

Segundo o NWS, a combinação de neve, granizo e temperaturas persistentemente abaixo de zero mantém estradas e calçadas congeladas, tornando as condições de deslocamento extremamente perigosas. O órgão alertou ainda para a possibilidade de quedas prolongadas de energia e danos à infraestrutura urbana.

As primeiras mortes associadas ao episódio começaram a ser registradas neste domingo. Na Louisiana, duas pessoas morreram por hipotermia, segundo autoridades de saúde locais. Em Nova York, o prefeito Zohran Mamdani informou que cinco pessoas foram encontradas mortas ao ar livre durante o fim de semana, em meio ao frio intenso, embora não tenha confirmado oficialmente a relação direta com a tempestade. “Não há lembrete mais poderoso do perigo do frio extremo”, afirmou.

Apagões atingem mais de 1 milhão de consumidores

Dados do site PowerOutage.us indicavam mais de 1 milhão de clientes sem energia elétrica na tarde de domingo, sobretudo nos estados do sul, onde a tempestade teve início no sábado. O Tennessee concentrou parte dos maiores impactos, com mais de 300 mil residências e estabelecimentos comerciais sem eletricidade após a queda de cabos provocada pelo gelo.

Estados como Louisiana, Mississippi e Geórgia — regiões menos habituadas a eventos desse tipo — também registraram mais de 100 mil interrupções cada. No Kentucky e na Geórgia, dezenas de milhares de imóveis permaneceram sem fornecimento de energia.

Autoridades alertaram que os apagões elevam os riscos à população diante de um frio considerado fora do padrão histórico, com possibilidade de novos recordes de temperatura mínima.

Governos estaduais, do Texas à Carolina do Norte, além de Nova York, recomendaram que moradores permanecessem em casa. “Evitem as estradas, a menos que seja absolutamente necessário”, publicou a Divisão de Gerenciamento de Emergências do Texas.

Transporte aéreo paralisado e cidades cobertas de neve

A tempestade também afetou amplamente o transporte. Aeroportos de Washington, Filadélfia e Nova York tiveram quase todos os voos cancelados neste domingo. Segundo o site FlightAware, mais de 15 mil voos de e para os Estados Unidos foram cancelados durante o fim de semana, além de milhares de atrasos. Outros 2.500 voos já haviam sido cancelados para a segunda-feira.

Na capital federal, moradores acordaram com ruas e calçadas cobertas por vários centímetros de neve. Os escritórios federais permanecerão fechados por precaução. O presidente Donald Trump afirmou, no sábado, que o governo acompanha a situação. “Continuaremos monitorando e em contato com todos os estados na trajetória desta tempestade. Mantenham-se seguros e abrigados!”, escreveu em sua rede Truth Social.

A nevasca se estendeu por áreas centrais como Kansas, Oklahoma e Missouri, onde o acúmulo de neve chegou a cerca de 20 centímetros em algumas localidades. No domingo, o sistema avançou para o nordeste, atingindo grandes centros urbanos como Filadélfia, Nova York e Boston com neve e chuva congelante.

Frio extremo deve persistir após a tempestade

O NWS descreveu o fenômeno como “excepcionalmente grande e duradouro”, atribuindo-o à entrada de uma massa de ar ártico proveniente do Canadá. As temperaturas após a passagem da tempestade devem permanecer extremamente baixas por até uma semana, com sensação térmica inferior a -45°C em algumas regiões.

Trump, conhecido por críticas às políticas climáticas, comentou o episódio ao ironizar o debate sobre aquecimento global. “Por favor: o que aconteceu com o aquecimento global?”, escreveu.

Especialistas observam que perturbações no vórtice polar, responsáveis por deslocar massas de ar ártico para latitudes mais baixas, tornaram-se mais frequentes nas últimas duas décadas, aumentando a ocorrência de episódios de frio extremo na América do Norte.

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