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Senado dos EUA aprova acordo de financiamento — mas não a tempo de evitar shutdown

Medida ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Representantes, que só retorna ao trabalho na segunda-feira, o que torna inevitável a paralisação

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 21h04.

Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 21h08.

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A poucas horas do prazo final para evitar uma nova paralisação parcial do governo, o Senado dos Estados Unidos aprovou, por 71 votos a 29, um pacote bipartidário para financiar a maior parte das agências federais até setembro e estender o orçamento do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) por mais duas semanas.

A medida ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Representantes, que só retorna ao trabalho na segunda-feira, o que torna inevitável o shutdown (interrupção temporária das atividades em parte do governo federal).

O acordo no Senado ocorre após impasses com o Partido Democrata, que bloqueou na semana anterior uma proposta de financiamento ao DHS. A decisão foi motivada pela morte de Alex Pretti, durante uma ação de agentes do ICE em Minneapolis, que levou a bancada democrata a exigir mudanças nas práticas de fiscalização da imigração, incluindo restrições a prisões e buscas, segundo informações do Wall Street Journal.

Shutdown: Risco de nova paralisação nos EUA cresce após crise com ICE

Acordo com a Casa Branca

Na quinta-feira à noite, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e o presidente Donald Trump anunciaram um acordo. O presidente pediu apoio dos republicanos à proposta em publicação nas redes sociais. Pressionado pela repercussão do caso Pretti, Trump também substituiu o chefe da operação de imigração em Minneapolis.

A legislação aprovada contempla seis projetos de financiamento. Cinco deles garantirão orçamento para áreas como transporte e defesa até o fim do ano fiscal, enquanto o sexto, focado no DHS, terá validade apenas por 14 dias. A paralisação parcial prevista para 0h01 de sábado afetará apenas as agências ainda não contempladas.

O impasse também evidenciou divisões internas no Partido Republicano. O senador Lindsey Graham retirou suas objeções após receber garantia de que seus projetos — incluindo medidas contra políticas de cidade-santuário — seriam considerados posteriormente. O senador Thom Tillis alertou para o risco de que a demora criasse a percepção de que o próprio partido estaria contribuindo para a paralisação.

No plenário, Graham também expressou descontentamento com o presidente da Câmara, Mike Johnson, por não ter comunicado previamente sobre o cancelamento de uma proposta de compensação financeira a senadores cujos registros telefônicos foram acessados pelo Departamento de Justiça.

Outras emendas, como a tentativa do senador Jeff Merkley de restringir manobras orçamentárias e a proposta de Bernie Sanders de redirecionar recursos do ICE para o Medicaid, foram rejeitadas.

Cenário nebuloso no congresso americano

A tramitação do pacote segue incerta na Câmara. O governo deve atuar diretamente para angariar votos entre os republicanos. Com uma margem de apenas dois votos, o presidente da Câmara enfrenta resistência de conservadores que consideram o prazo de duas semanas para o DHS insuficiente e defendem prorrogação de até seis semanas.

Johnson convocou os parlamentares a retornarem a Washington o quanto antes, alertando sobre atrasos logísticos. A expectativa é de que a Câmara vote os projetos restantes e a prorrogação orçamentária do DHS na noite de segunda-feira.

Parte dos republicanos também pressiona para incluir na pauta o SAVE America Act, projeto que exige comprovante de cidadania e documento oficial com foto para o registro de eleitores em eleições federais. A proposta é criticada por líderes democratas, que afirmam se tratar de uma tentativa de supressão de votos.

Apesar das tensões, a liderança republicana na Câmara acredita que será possível aprovar as medidas orçamentárias no início da próxima semana, com base no apoio declarado do presidente Donald Trump ao acordo.

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