Macro Rubio, secretário de Estado dos EUA, durante evento em 8 de outubro (Anna Moneymaker/AFP)
Redação Exame
Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 12h36.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste domingo, 4, que o governo americano está disposto a trabalhar com as atuais lideranças da Venezuela, desde que tomem “as decisões certas”.
A declaração foi dada em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS News, um dia após a operação militar dos EUA que capturou e retirou do país o presidente Nicolás Maduro.
“Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem”, disse Rubio, ao ser questionado sobre os próximos passos da diplomacia americana diante do novo cenário político venezuelano.
“Se não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão para garantir a proteção dos nossos interesses”, afirmou o secretário.Ao comentar sobre a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que foi indicada pelo Tribunal Supremo da Venezuela para assumir a presidência, Rubio evitou um posicionamento direto.
Rubio disse apenas que os EUA têm “objetivos claros” e que vão observar os próximos movimentos: “Vamos ver o que vai acontecer.”
Rubio afirmou que os Estados Unidos querem o fim do narcotráfico na região, o desmantelamento de gangues que atuam em território americano e uma indústria do petróleo que beneficie o povo venezuelano, e não adversários dos EUA.
Segundo o secretário, o diferencial em relação ao governo anterior é que Maduro “era alguém com quem não se podia trabalhar”.
Ele acrescentou que Maduro nunca respeitou acordos firmados e rejeitou propostas para deixar o poder apresentadas em várias ocasiões.
Questionado sobre a possibilidade de envio de tropas americanas ao território venezuelano, Rubio classificou o tema como uma “obsessão da opinião pública”. No entanto, ponderou que é uma opção que o presidente Donald Trump “não pode descartar publicamente”.
O chefe da diplomacia americana também mencionou que os Estados Unidos mantêm um bloqueio ao petróleo da Venezuela, o que, segundo ele, confere a Washington “influência considerável sobre o curso dos acontecimentos”.
Rubio rejeitou comparações com outras intervenções militares promovidas por Washington: “A Venezuela não é a Líbia, nem o Iraque ou o Afeganistão. Nossa missão aqui é muito diferente. Não estamos apenas enfrentando o regime, mas o que constitui uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos.”
Com agência AFP.