Tecnologia

Meta tenta conter crise de privacidade nos óculos com IA e atualiza configurações de proteção

Empresa intensificou campanha para explicar mecanismos de segurança após vídeos gravados sem consentimento ganharem as redes sociais

Meta: companhia enfatiza que a luz de LED avisa que os óculos estão gravando (Meta/Divulgação)

Meta: companhia enfatiza que a luz de LED avisa que os óculos estão gravando (Meta/Divulgação)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 30 de agosto de 2026 às 15h10.

Priorizar nos meus resultados Google

A Meta enfrenta um desafio que vai além de vender seus óculos inteligentes com inteligência artificial. À medida que os dispositivos se tornam mais populares, cresce também a preocupação com a possibilidade de gravações feitas sem o consentimento das pessoas.

Vídeos registrados com os óculos da empresa passaram a se espalhar pelas redes sociais, incluindo conteúdos em que criadores abordam e assediam mulheres enquanto gravam suas reações sem que elas saibam. O fenômeno provocou críticas e fez com que alguns usuários passassem a chamar o produto de “óculos de pervertido”, comentou o Business Insider.

Diante da repercussão negativa, a Meta intensificou os esforços para mudar a percepção do público sobre o produto. A empresa atualizou mecanismos de privacidade, removeu conteúdos e contas ligados ao uso indevido dos dispositivos e colocou seus executivos na linha de frente de uma campanha para explicar como funcionam as câmeras, segundo o jornal.

A aposta na luz que denuncia a gravação

O principal mecanismo de segurança dos óculos é uma pequena luz de LED na parte frontal, que deve acender sempre que a câmera estiver registrando fotos ou vídeos.

Em vídeo publicado no Instagram, o diretor de tecnologia da Meta, Andrew Bosworth, afirmou que o dispositivo foi projetado justamente para tornar a gravação perceptível para quem está por perto.

“Projetamos esta câmera para que ela seja percebida pelas pessoas ao seu redor, por isso, em todos os pares de óculos que fabricamos, há um LED de captura na parte frontal, que acende quando alguém está tirando fotos ou gravando vídeos para a galeria”, disse Bosworth.

Segundo ele, a câmera não possui um botão que permita desligar esse mecanismo. Caso alguém tente cobrir ou desativar a luz, a câmera deixa de funcionar.

“Levamos essa questão a toda a Meta e estamos removendo conteúdos e até contas inteiras ligadas a pessoas que usam os óculos de forma indevida”, afirmou Bosworth.

Alex Himel, vice-presidente de dispositivos vestíveis da Meta, também afirmou que uma atualização passou a impedir gravações caso a luz de LED seja bloqueada antes ou durante o registro.

“Vamos continuar lançando atualizações como esta para garantir que o LED de captura possa alertar de forma confiável as pessoas ao redor quando fotos ou vídeos estiverem sendo registrados para a galeria de alguém”, disse Himel.

A estratégia, porém, ainda enfrenta limitações. Embora a empresa tenha suspendido contas associadas a casos de assédio, nem todos os conteúdos que violam as regras conseguiram ser identificados e removidos, de acordo com o Business Insider.

Marketing de celebridade

A preocupação com a privacidade surge justamente quando a Meta investe para transformar os óculos inteligentes em um produto de massa. A empresa recorreu a celebridades como Kylie Jenner e Teyana Taylor e exibiu um comercial estrelado por diversas personalidades durante o Super Bowl LX para impulsionar o interesse pelos dispositivos.

Mas a expansão dos óculos inteligentes também provocou uma reação de espaços que querem evitar gravações inesperadas.

O Burning Man, festival que começou nesta segunda-feira, permite que participantes levem os dispositivos, mas exige consentimento antes de filmar qualquer pessoa. Já a casa noturna Basement, de Nova York, ampliou sua política de proibição de fotos e vídeos para incluir óculos inteligentes.

“Qualquer pessoa que levar óculos inteligentes para o estabelecimento, esteja usando-os ou carregando-os em uma bolsa, será convidada a sair e poderá ser banida permanentemente”, afirmou o local em uma publicação no Instagram na sexta-feira.

A DEF CON Hacking Conference também informou aos participantes, em julho, que óculos inteligentes e dispositivos semelhantes são proibidos no evento.

O recado da Meta

A resposta da empresa à crise tem sido reforçar que a tecnologia inclui mecanismos para avisar quem está ao redor de que uma gravação está em andamento.

No vídeo publicado no Instagram, Bosworth pediu aos usuários que observem a luz de LED que indica quando as câmeras estão funcionando.

“Por favor, lembrem-se”, acrescentou, “a luz está ali para todos”.

Acompanhe tudo sobre:MetaInteligência artificialPrivacidade

Mais de Tecnologia

Como os gamers viraram a principal aposta da Intel para 'resgatar' o mercado de PCs

Como criar atalhos no iOS 27 só descrevendo o que você quer, sem saber programar

China aprova quase 300 normas para tecnologia, indústria e segurança

iPhone 18 no Brasil é um dos mais caros do mundo — mas não é o campeão