Gustavo Petro (Colômbia) e Donald Trump (EUA): presidente colombiano repudiou as ameaças do líder americano (FEDERICO PARRA/AFP)
Redação Exame
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 12h07.
Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 12h09.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira, 5, que pegará "de novo em armas" diante das ameaças do líder americano Donald Trump, em meio a tensões crescentes entre ambos os líderes após os bombardeios dos Estados Unidos na Venezuela no sábado.
Desde que Trump assumiu seu segundo mandato em 2025, as relações entre os Estados Unidos e a Colômbia têm se deteriorado progressivamente, com constantes trocas de acusações entre os dois líderes sobre questões como segurança regional, tarifas e a gestão da política de imigração.
"Jurei não tocar mais em uma arma desde o pacto de paz de 1989, mas pela pátria voltarei a pegar em armas que não queria", disse o mandatário de esquerda na rede social X.
"A partir de agora, cada soldado da Colômbia tem uma ordem: qualquer comandante da força pública que preferir a bandeira dos EUA à bandeira da Colômbia será imediatamente demitido", acrescentou o presidente em sua publicação nesta segunda-feira.
Trump afirmou no fim de semana que Petro deveria "cuidar de seu traseiro" depois que o presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro foi capturado em Caracas e levado para os Estados Unidos sob acusações de tráfico de drogas e terrorismo.
No último domingo, 4, o presidente americano ameaçou uma possível operação militar contra a Colômbia ao comentar o cenário político na América Latina, em declarações feitas a jornalistas no avião presidencial Air Force One.
Questionado diretamente se os Estados Unidos poderiam realizar uma operação militar contra a Colômbia, Trump respondeu que a ideia lhe parecia positiva. “Isso me soa bem”, afirmou.O presidente americano também fez críticas diretas ao governo colombiano e ao presidente Gustavo Petro. “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, disse Trump.
Petro, ex-guerrilheiro do M-19 que assinou o acordo de paz em 1990, também foi deputado e prefeito de Bogotá antes de se tornar o primeiro presidente de esquerda da Colômbia.
Washington e Bogotá foram aliados por décadas, especialmente durante a implementação do Plano Colômbia em 1999, considerado um dos motivos do sucesso no combate aos cartéis de drogas.
*Com informações da AFP e da EFE