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Preços sobem 2,5% na Argentina e inflação anual volta a avançar

Alta mensal superou previsões e inflação anual subiu para 31,4%

Javier Milei: inflação na Argentina acelera em novembro com alta de alimentos, energia e transporte. (Kevin Dietsch/AFP)

Javier Milei: inflação na Argentina acelera em novembro com alta de alimentos, energia e transporte. (Kevin Dietsch/AFP)

Publicado em 12 de dezembro de 2025 às 10h02.

A inflação da Argentina acelerou pelo terceiro mês consecutivo em novembro, mesmo após a vitória do presidente Javier Milei nas eleições de meio de mandato.

Os preços ao consumidor subiram 2,5% no mês, acima da estimativa mediana de economistas ouvidos pela Bloomberg e acima dos 2,3% registrados em outubro, segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira, 11.

A inflação anual avançou para 31,4%, ante 31,3% no mês anterior, marcando a primeira alta desde o pico registrado quatro meses após Milei assumir o cargo.

O avanço foi impulsionado principalmente por alimentos, transporte e energia. Em termos reais, os custos de combustíveis, tarifas de energia e transporte registraram fortes altas em novembro. Entre os alimentos, a carne bovina foi o principal vetor de pressão, com aumento de 6,6% em relação a outubro.

A estabilidade cambial ajudou a conter pressões adicionais. A moeda argentina permaneceu relativamente estável no mês, diferentemente de outubro, quando houve uma queda próxima de 5% em meio à volatilidade eleitoral antes da votação de 26 de outubro.

Pressão sobre a cesta básica e riscos à desinflação

Segundo Maria Castiglioni, diretora da consultoria C&T Asesores Económicos, a alta recente de itens sensíveis da alimentação elevou o custo da cesta básica. “Depois de muito tempo, o aumento de certos alimentos — como algumas frutas, carnes e óleos — elevou o custo da cesta básica, que vinha rodando bem abaixo da inflação geral”, afirmou. Ela acrescentou que o movimento não é positivo para os níveis de pobreza.

Castiglioni, no entanto, projeta desaceleração nos próximos dados. A expectativa é de que a inflação fique pouco acima de 2% neste mês, abaixo do nível de novembro.

Para a Bloomberg Economics, o resultado confirma riscos relevantes. “A leitura valida dois riscos-chave: a desinflação adicional será desafiadora sem uma política monetária mais clara, e ganhos persistentes de preços podem complicar a sustentabilidade do atual regime cambial”, avaliou a economista Jimena Zúñiga.

Atividade, política e projeções

Apesar do cenário inflacionário, a atividade mostrou resiliência recente. O PIB cresceu 0,5% em setembro na comparação mensal, surpreendendo analistas, e o órgão de estatísticas revisou para cima diversos dados anteriores.

O partido libertário de Milei venceu as eleições legislativas por ampla margem, impulsionando os títulos públicos e estabilizando a moeda. O novo Congresso, empossado nesta quarta-feira, conta agora com 95 das 257 cadeiras na Câmara e 20 das 72 no Senado sob influência do presidente. Nesta quinta, Milei enviou ao Legislativo um ambicioso projeto de reforma trabalhista.

De acordo com a última pesquisa do banco central com economistas, a Argentina deve encerrar o ano com inflação anual de 30,4%. A projeção de crescimento para o ano foi revisada para 4,4%, ante 3,9% no levantamento anterior.

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