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Poucos derivados de frango têm certificado de bem-estar

O abate de frangos e suínos aumentou, mas poucos produtos finais têm certificação de bem-estar animal no Brasil

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Frango: frangos e suínos são as criações que menos seguem as regras internacionais de bem-estar (Asif Akbar / Stock Xchng)

Frango: frangos e suínos são as criações que menos seguem as regras internacionais de bem-estar (Asif Akbar / Stock Xchng)

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Mariana Tokarnia

Publicado em 24 de dezembro de 2012 às, 08h41.

Última atualização em 27 de novembro de 2018 às, 12h24.

Brasília - O abate de frangos e suínos registrou no primeiro trimestre de 2012 o maior aumento desde o ano 2000, informou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Foram 830,1 mil toneladas de suínos e 2,9 milhões de toneladas de frango. Desses, poucos produtos finais têm certificação de bem-estar animal.

Uma das únicas empresas certificadas no país, a Korin Agropecuária, foi responsável pelo abate de 4 milhões de frangos no ano todo. Pelo peso médio nacional, isso equivale a 8,6 mil toneladas, ou 0,3% do total da produção do trimestre.

Frangos e suínos são as criações que menos seguem as regras internacionais de bem-estar. A fim de aumentar a produção, os animais seriam confinados em ambientes apertados, sem luz natural e submetidos a alimentação excessiva para ganhar peso mais rapidamente. Essas práticas interferem na qualidade do produto que chega à mesa do consumidor. No Brasil, segundo especialistas, as práticas de bem-estar ainda são pouco conhecidas, mas passam a ser exigidas pelos compradores, cada vez mais preocupados com a saúde.

A Korin foi a primeira empresa a produzir frango seguindo normas de bem-estar em escala industrial no Brasil. A empresa cria os animais sem o uso de antibióticos, oferece no mínimo seis horas de descanso no escuro por dia - as aves em criação intensiva são expostas à luz artificial 24 horas por dia a fim de acelerar o metabolismo e promover o crescimento mais rápido - e alojam as aves em galpões respeitando limites de lotação, para que possam se movimentar.

“A adoção de práticas de bem-estar animal proporciona a redução dos índices de condenação, melhor qualidade do produto final e a conscientização dos consumidores [sobre] os cuidados adotados no trato e abate dos animais, uma vez que o selo da certificação é colocado nos rótulos dos produtos”, explica a coordenadora de Produção Animal da Korin, Leikka Iwamura. Segundo ela, a empresa pretende expandir a produção para as carnes suína e bovina no próximo semestre.


Para a normatização, a empresa recorreu à Humane Farm Animal Care (HFAC), certificadora norte-americana, que estabelece como os animais devem ser criados. No Brasil, existe apenas uma certificadora, a filial da francesa Ecocert, que também segue as normas da HFAC. A empresa tem apenas cinco clientes na área animal contra 5 mil produtores de orgânicos certificados.

“Esse número [cinco clientes] não vem crescendo. Muita gente pergunta, mas não temos um aumento no pedido de certificações. O nível de adesão em países europeus e nos Estados Unidos é bem maior. O bem-estar animal é bem mais estudado e exigido nesses países”, diz o diretor-geral da Ecocert Brasil, Luiz Mazzon. Segundo ele, nos Estados Unidos está disponível um aplicativo capaz de localizar restaurantes que vendem carne certificada. “O assunto aqui só vai começar a deslanchar com o interesse do consumidor”, acrescenta.

O interesse existe, mas os consumidores muitas vezes não sabem como exigir o bem-estar animal e acabam deixando de comer carne completamente. A estudante Giulia Batelli é vegetariana há um ano, desde que assistiu a um vídeo sobre sofrimento animal. Ela admite que até hoje está se adaptando e acredita que ainda não se alimenta bem. Sente falta de carne, mas se recusa a comprar de grandes produtores que não têm certificação. Os alimentos certificados são difíceis de encontrar e caros.

Além da falta de certificação, há produtores de criação intensiva que divulgam fotografias e ilustrações de animais em pastos, ao ar livre, quando não é esse o modo de produção. Não há no país exigência de que se divulgue no rótulo o modo de criação do animal. Assim, a divulgação de fotografias pode induzir a erro.

“Às vezes, o produto não é transgênico em si, mas a galinha, por exemplo é alimentada com ração que contém transgênico. Isso altera o produto final, mas não vem no rótulo”, explica o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin.

O consumidor que se sentir lesado deve fazer uma denúncia na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que pode ser feito pela internet. A partir daí, o produtor deve ser submetido a uma inspeção. O consumidor pode também registrar um boletim na Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), que o submeterá à perícia da Polícia Civil. Após esses laudos é possível promover ação na Justiça por dano material ou moral.

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