Xi Jinping, presidente da China, durante evento em Pequim (Ken Ishii/AFP)
Repórter
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 06h01.
O presidente da China, Xi Jinping, conduz há anos uma caça à corrupção dentro do Partido Comunista e do Exército. Desde 2012, a ABC News estima que um total de 200.000 oficiais foram punidos de alguma forma. No último fim de semana, esta caçada atingiu os principais generais do país, Zhang Youxia e Liu Zhenli por “suspeita de sérias violações de disciplina e da lei”. Ambos foram afastados de seus cargos.
Zhang e Liu faziam parte da Comissão Militar Central (CMC), órgão supremo de liderança das forças armadas chinesas no Partido Comunista Chinês (PCC), que originalmente tinha sete membros. Após o expurgo, os únicos membros não afetados foram o próprio Xi Jinping e o oficial Zhang Shengmin, que ocupa a posição de vice-diretor da comissão desde outubro.
"A decisão do Comitê Central do PCC de investigar Zhang e Liu demonstra, mais uma vez, a posição clara do Comitê Central do PCC e da CMC de que, na luta contra a corrupção, nenhum limite é ultrapassado, nenhum terreno é deixado de lado e nenhuma tolerância é permitida", disse um editorial do jornal do Exército chinês, PLA Daily.
“Zhang e Liu, enquanto altos funcionários do Partido e das Forças Armadas, traíram gravemente a confiança neles depositada pelo Comitê Central do PCC e pela CMC, e atropelaram e minaram seriamente o sistema de responsabilidade final que recai sobre o presidente da CMC”, afirma o PLA Daily em seu editorial.
As acusações feitas pelo jornal continuam. “Eles alimentaram gravemente os problemas políticos e de corrupção que ameaçam a liderança absoluta do Partido sobre as Forças Armadas e minam os fundamentos da governança partidária; mancharam gravemente a imagem e a autoridade da liderança da CMC e prejudicaram seriamente o fundamento político e ideológico da unidade e do progresso entre todos os militares; causaram sérios danos aos esforços para fortalecer a lealdade política nas Forças Armadas, o ambiente político militar e a prontidão geral para o combate, representando um grave impacto negativo sobre o Partido, o país e as Forças Armadas.”
Zhang Youxia, vice-presidente de primeiro escalão da CMC, participa da cerimônia de abertura da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CPPCC) no Grande Salão do Povo, em Pequim, em 4 de março de 2025 (Pedro Pardo/AFP)
Zhang era, até o momento, também o membro mais sênior do partido, abaixo apenas do próprio Xi, de quem era amigo de infância. Liu, por sua vez, era o chefe de gabinete das Forças Armadas chinesas.
A renomada revista de política The Diplomat afirma, em um artigo, que, em vez de corrupção no sentido clássico, Liu e Zhang teriam sido depostos devido a uma danificação irreparável nos laços entre eles e o presidente. Devido à idade de Xi, segundo a revista, o líder teria desenvolvido suspeitas cada vez mais intensas de seus arredores, que chegaram ao ápice quando seus colegas passaram a discordar de certas políticas e estratégias.
O The Diplomat continua sua avaliação, dizendo que a verdadeira situação nos bastidores da política chinesa é provavelmente muito mais intensa do que os poucos vazamentos sugerem. Conforme emoções negativas tomam conta das relações intrapessoais no PCC, o próprio CMC, o maior e mais importante órgão de defesa nacional, agora operando com capacidade reduzida, não é mais capaz de funcionar como o planejado. Esses problemas são piorados pelo fato de Xi Jinping tradicionalmente demorar a encontrar substitutos para oficiais depostos, levantando a pergunta de se o presidente controlará as forças armadas individualmente.