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Pompeo confirma retirada de tropas da Síria e nega "contradição"

Em dezembro, Trump anunciou a retirada de 2 mil soldados americanos da Síria, alegando que o Estado Islâmico estava "destruído"

Síria: "Nosso compromisso de continuar a prevenir o renascimento do EI é real (...) Simplesmente vamos fazer diferente, em um local específico, a Síria", afirmou Pompeo (U.S. Army/Reuters)

Síria: "Nosso compromisso de continuar a prevenir o renascimento do EI é real (...) Simplesmente vamos fazer diferente, em um local específico, a Síria", afirmou Pompeo (U.S. Army/Reuters)

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AFP

Publicado em 10 de janeiro de 2019 às 12h40.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, confirmou nesta quinta-feira (10) que a retirada das tropas americanas da Síria vai acontecer e negou qualquer "contradição" na estratégia do presidente Donald Trump para o Oriente Médio que, no entanto, desestabiliza alguns aliados regionais.

"O presidente Trump tomou a decisão de retirar nossas tropas. Vamos fazer isso", disse ele em coletiva de imprensa no Cairo, acompanhado de seu colega egípcio, Sameh Shukry, sem mencionar um cronograma.

Anunciada por Trump em dezembro, a retirada de cerca de 2.000 soldados americanos mobilizados na Síria para lutar contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI) é vista como uma prova das contradições da estratégia de sua administração - ou da falta de estratégia, segundo seus críticos.

Depois de evocar uma retirada imediata e completa, Washington voltou atrás, anunciando, pela voz de Mike Pompeo e do conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, condições que estão longe de serem cumpridas: a derrota completa do EI, mas também a garantia de que os combatentes curdos que combateram os jihadistas ao lado dos americanos serão protegidos.

Sobre este último ponto, a Turquia voltou a ameaçar nesta quinta-feira adotar uma ofensiva contra aqueles que considera "terroristas".

"Não há contradição" na estratégia dos Estados Unidos, assegurou nesta quinta o secretário de Estado americano, referindo-se a "uma história fabricada pela mídia".

"Nosso compromisso de continuar a prevenir o renascimento do EI é real (...) Simplesmente vamos fazer diferente, em um local específico, a Síria", onde os Estados Unidos intervêm militarmente desde 2014 no âmbito de uma coalizão antijihadista, acrescentou.

"Força para o bem"

No Cairo, Mike Pompeo fará um discurso para tentar demonstrar a consistência da estratégia americana no Oriente Médio. Seu título resume a mensagem que pretende transmitir: "Uma força para o bem: a América revigorada no Oriente Médio".

"Em apenas 24 meses, os Estados Unidos, sob a presidência de Trump, reafirmaram seu tradicional papel de força para o bem nesta região", "encontramos nossa voz", "reconstruímos nossas relações", "rejeitamos as falsas aberturas feitas por nossos inimigos", dirá ele, de acordo com trechos divulgados para a imprensa.

Em sua primeira viagem ao exterior desde sua chegada à Casa Branca, em 2017, Donald Trump definiu em Riad uma diretriz para sua política regional: união dos aliados dos Estados Unidos contra o Irã xiita e o reforço da luta contra o EI.

Em paralelo, prometeu alcançar um acordo de paz entre israelenses e palestinos, onde todos os seus antecessores falharam.

Desde então, porém, suas decisões confundiram alguns parceiros.

A partida da Síria, onde o Irã está envolvido militarmente ao lado do governo de Damasco, parece contradizer a intenção declarada de frustrar a influência do Irã e de proteger Israel.

Para isso, Washington confia em seus parceiros mais próximos: Jordânia e Iraque, onde Pompeo esteve nos últimos dias, assim como Egito, onde se encontrou esta manhã com o presidente Abdel Fattah al-Sisi, e os países do Golfo.

Ignorando as denúncias de violações de direitos humanos, Pompeo apresentou o presidente egípcio como "um parceiro forte na luta contra o terrorismo e uma voz corajosa na denúncia da ideologia radical islâmica que a alimenta".

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