Economia chinesa: exportações compensam fraqueza da demanda interna e mantêm crescimento do PIB. (Freepik/Divulgação)
Repórter
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 07h07.
Última atualização em 19 de janeiro de 2026 às 07h22.
A economia da China cresceu 5% em 2025, mesmo sob o impacto da guerra tarifária conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo dados oficiais divulgados nesta segunda-feira, 19, pelo National Bureau of Statistics (NBS).
O resultado foi sustentado principalmente pelo avanço das exportações, que compensaram a fraqueza persistente da demanda doméstica.
Segundo análise do Financial Times, os números mostram um crescimento cada vez mais desequilibrado, em um momento em que Pequim enfrenta maior incerteza no comércio global e dificuldades internas para estimular consumo e investimento.
Enquanto a produção industrial superou as expectativas do mercado, indicadores ligados à economia doméstica — como imóveis e vendas no varejo — ficaram abaixo das previsões.
O NBS informou que o crescimento desacelerou no quarto trimestre, quando o Produto Interno Bruto avançou 4,5%, abaixo dos 4,8% registrados no terceiro trimestre, mas seguindo as estimativas de analistas. Ainda assim, o desempenho anual ficou dentro da meta oficial do governo e da mediana das projeções reunidas pela Bloomberg.
A desaceleração aumenta a expectativa de que Pequim adote medidas adicionais de estímulo fiscal e monetário em 2026 para alcançar uma meta de crescimento estimada entre 4,5% e 5%. De acordo com Ting Lu, economista-chefe da Nomura para a China ao FT, o país enfrenta um dos períodos mais severos de enfraquecimento da demanda doméstica neste século.
Os dados setoriais reforçam esse diagnóstico. O investimento em ativos fixos caiu 3,8% em 2025, a primeira retração anual desde os anos 1990, enquanto o investimento imobiliário despencou 17,2%, marcando o quarto ano consecutivo de crise no setor. As novas construções recuaram 20,4% no período.
No consumo, as vendas no varejo avançaram 3,7% no acumulado do ano, com crescimento de apenas 0,9% em dezembro, abaixo do esperado. A taxa de natalidade também atingiu o menor nível da série histórica, evidenciando desafios estruturais de longo prazo para a economia chinesa.
Segundo Shuang Ding, economista-chefe do Standard Chartered para a Grande China e o Norte da Ásia, o crescimento foi impulsionado por serviços e exportações, tendência que deve persistir. Ele avalia que Pequim pode permitir uma valorização gradual do renminbi como forma de reduzir tensões com parceiros comerciais diante dos elevados superávits externos.
O presidente Xi Jinping deve apresentar novas metas econômicas em março, durante a reunião anual do Congresso Nacional do Povo, quando o governo também deve detalhar sua estratégia para o próximo ciclo de planejamento, com a entrada em vigor do 15º plano quinquenal em 2026.