Redação Exame
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 11h48.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou acreditar que existe uma “ameaça real” de uma ação militar dos Estados Unidos contra o país, após o ataque e o sequestro do líder venezuelano Nicolás Maduro. A declaração foi dada em entrevista à emissora pública britânica BBC.
Em falas feitas em Bogotá e divulgadas no site da emissora, Petro disse que os Estados Unidos tratam outros países como parte de um “império”. Segundo ele, a maior potência global corre o risco de passar de “dominar o mundo” a ficar “isolada”.
Após a intervenção na Venezuela, o presidente americano, Donald Trump, declarou que uma operação militar contra a Colômbia “soaria bem” e advertiu Petro de que deveria “ter cuidado com o que faz”.
Os dois presidentes conversaram por telefone na noite de quarta-feira. Depois do contato, o líder republicano afirmou que receberá o colombiano na Casa Branca em um futuro próximo.
Na entrevista, Petro relatou que a conversa durou pouco menos de uma hora, “a maior parte ocupada por mim”. Segundo ele, o diálogo abordou o narcotráfico na Colômbia, a posição de Bogotá em relação à Venezuela e a situação da América Latina diante dos Estados Unidos.
O presidente esquerdista, que no passado fez parte da guerrilha na Colômbia, também criticou a política migratória dos EUA e acusou o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) de atuar como "brigadas nazistas".
Trump, que culpa a imigração pela criminalidade nos Estados Unidos, ampliou as funções do ICE no país, ao mesmo tempo em que recrimina nações como Colômbia e Venezuela por não fazerem o suficiente para combater o narcotráfico.
Na última quarta-feira, um agente do ICE matou a tiros a americana Renee Good, de 37 anos, enquanto ela manobrava seu veículo - após tentar bloquear a passagem - em um protesto em Minneapolis contra a presença desses funcionários federais.
Petro opinou que o ICE "chegou a um ponto em que já não persegue apenas latino-americanos nas ruas, o que para nós é uma afronta, mas também mata cidadãos dos Estados Unidos".
Quanto à potencial ameaça americana sobre a Colômbia, o presidente colombiano destacou que a possibilidade de eliminá-la "depende das conversas em curso".
Questionado pela sobre como o país se defenderia em caso de ataque, disse que "preferiria que se tratasse de diálogo", mas acrescentou que "a história da Colômbia mostra como respondeu diante de grandes exércitos".
"Não se trata de enfrentar um grande Exército com armas que não temos. Nem sequer contamos com defesas antiaéreas. Em vez disso, confiamos nas massas, em nossas montanhas e em nossas selvas, como sempre fizemos", afirmou.
*Com informações da EFE