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Pequim reforça presença policial após protestos contra política 'covid zero'

Com a presença de inúmeras viaturas policiais e câmaras de vigilância, as forças de segurança impediram nesta segunda novos protestos nas ruas da capital chinesa

Pequim: Viaturas da polícia na capital chinesa (AFP/AFP Photo)

Pequim: Viaturas da polícia na capital chinesa (AFP/AFP Photo)

A
AFP

28 de novembro de 2022, 17h15

As autoridades chinesas reforçaram nesta segunda-feira (28) a presença policial em Pequim para desencorajar novas manifestações contra a política de "covid zero", depois de um domingo marcado por protestos no gigante asiático.

Com a presença de inúmeras viaturas policiais e câmaras de vigilância, as forças de segurança impediram nesta segunda novos protestos nas ruas da capital chinesa.

Centenas de pessoas, a maioria jovens, protestaram no domingo à noite em ambas as margens do canal Liangma, dando origem a uma imagem muito incomum em Pequim.

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Os manifestantes exibiram folhas de papel em branco para protestar contra a censura, cantaram o hino nacional e gritaram palavras de ordem contra as restrições da covid-19 que os impedem de circular livremente há quase três anos.

"Estava acompanhando pelas redes sociais e quis vir ver como estavam as coisas. Finalmente há uma mobilização contra essa política de saúde", comentou uma mulher de 40 anos, presente na região do canal Liangma.

"Os jovens estão preocupados. Os preços dos imóveis estão praticamente inacessíveis e não sabem se vão conseguir emprego. Estas restrições anticovid aumentam as frustrações", explicou a mulher, que preferiu não se identificar.

"Com essa política de saúde, viramos motivo de chacota no mundo, não acha?", acrescentou.

Restrições a passaportes

Os policiais patrulham as duas margens do canal, geralmente uma área de passeio, em grupos de dois ou três.

Também há agentes nas ruas adjacentes, muito fáceis de reconhecer por seus uniformes azul-marinho. Cerca de vinte viaturas estavam estacionadas nas imediações, algumas delas equipadas com câmaras de vigilância, dificultando qualquer concentração de manifestantes.

Mapa da China localizando as manifestações contra a política de "zero covid", com isolamentos pelo coronavírus. (AFP/Divulgação)

"Eu me emocionei com o que esses jovens fizeram ontem (domingo). Eles defenderam seus direitos, eu os apoio", declarou uma mulher na casa dos trinta anos, caminhando pelo canal apesar das temperaturas baixas à medida que o inverno se aproxima.

"Acho que se inspiraram no que aconteceu em outubro", afirmou, referindo-se à ação de um desconhecido que pendurou dois cartazes em uma ponte em Pequim com mensagens críticas à política anticovid e ao presidente chinês, Xi Jinping, antes de ser detido.

Apesar de não ter participado dos protestos, ela também se disse cansada da política de saúde contra a pandemia.

"Meu passaporte venceu há dois anos e as autoridades se recusam a renová-lo. Não podemos ir para o exterior. Em que mundo vivemos?", lamentou.

As autoridades chinesas praticamente não emitem passaportes para seus concidadãos, exceto para aqueles que precisam viajar ao exterior para trabalhar, estudar ou ver parentes.

Manifestantes não querem usar mais máscaras

"Vemos nossos dirigentes no exterior sem máscara. Por que temos que continuar usando aqui? É incompreensível", questionou a pedestre.

A China tenta conter um movimento de protestos sem precedentes contra as restrições anticovid. No domingo, a rede britânica BBC denunciou que um de seus jornalistas foi detido no país.

"Acho que o governo entendeu o recado e vai amenizar sua política" contra a covid-19, disse outra mulher mais otimista.

Outros lugares simbólicos em Pequim, como a Praça da Paz Celestial, estavam desertos nesta segunda-feira.

Muitos policiais permaneciam na praça histórica, checando a identidade dos pedestres, inclusive ciclistas, algo bastante incomum.

Uma manifestação foi marcada para esta noite perto da ponte onde cartazes foram exibidos em outubro, mas por fim acabou não ocorrendo devido à forte presença policial.

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