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Parlamento Europeu suspende ratificação de acordo comercial com os EUA

Decisão reflete o aumento das tensões diplomáticas entre Donald Trump e a União Europeia nas últimas semanas, especialmente em relação às ameaças de tarifas e anexação da Groenlândia

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 15h59.

Última atualização em 20 de janeiro de 2026 às 16h01.

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O Parlamento Europeu decidiu suspender o processo de ratificação do acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos, após novas ameaças feitas pelo presidente norte-americano, Donald Trump. A informação foi confirmada nesta terça-feira, 20, pelos principais grupos políticos ao jornal francês Le Monde.

Segundo a presidente do grupo S&D (Socialistas e Democratas), Iratxe Garcia Pérez, há um “acordo majoritário” entre as bancadas para interromper temporariamente o trâmite de aprovação do tratado, assinado no ano passado. A decisão reflete o aumento das tensões diplomáticas entre Washington e Bruxelas nas últimas semanas.

Em meio à pressão por apoio à proposta de anexação da Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca, o presidente dos Estados Unidos anunciou recentemente a aplicação de tarifas de 10% sobre produtos de oito países europeus, com início previsto para 1º de fevereiro. As tarifas poderão subir para 25% em junho, caso os governos afetados não aceitem a anexação, medida que provocou reações contundentes entre líderes europeus.

A ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos estava prevista para ocorrer entre março e abril. A decisão do Parlamento Europeu visa enviar uma mensagem de descontentamento a Donald Trump, após a escalada de tensões provocada por sua insistência de anexação da Groenlândia.

Além da paralisação do processo de ratificação, líderes europeus discutem a possibilidade de impor tarifas retaliatórias aos Estados Unidos no valor de 93 bilhões de euros (aproximadamente R$ 580 bilhões), além de possíveis restrições ao acesso de empresas americanas ao mercado do bloco.

Em meio ao impasse, Trump intensificou sua retórica nas redes sociais. Ele publicou um mapa com a bandeira americana sobreposta à Groenlândia, compartilhou uma mensagem conciliatória enviada pelo presidente francês Emmanuel Macron, e declarou que os líderes europeus “não oferecerão muita resistência” ao plano de anexação. Reforçou ainda a posição dos Estados Unidos como “o país mais poderoso do planeta”, afirmando que a paz mundial se sustenta “através da FORÇA!”.

Presença em Davos

O presidente norte-americano viaja nesta terça-feira para Davos, na Suíça, onde participará do Fórum Econômico Mundial. Essa será sua primeira presença ao vivo no evento desde 2020, em um cenário de crescente tensão com aliados ocidentais.

O clima foi agravado após o anúncio de tarifas de 10% à Dinamarca e a outros sete países europeus que se opõem à anexação e enviaram tropas simbólicas à Groenlândia em apoio à Dinamarca. Apesar de afirmar, durante a madrugada, que aceitou se reunir com outros líderes durante o fórum, Trump afirmou, em entrevista paralela, que não pretende negociar nada.

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