Ursula von der Leyen: presidente da Comissão Europeia durante discuro no Fórum Econômico Mundial, em Davos ( Fabrice Coffrini/Getty Images)
Repórter
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 10h23.
A União Europeia afirmou que as ameaças econômicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o bloco, vinculadas à tentativa de aquisição da Groenlândia, configuram um erro e violam um acordo comercial firmado entre as partes no ano passado.
A declaração ocorreu durante o discuso da presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen no Fórum Econômico Mudial, que afirmou que a UE e os Estados Unidos chegaram a um acordo comercial em julho.
“Na política, assim como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso precisa significar alguma coisa”, disse.
No último final de semana, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, com aumento para 25% em junho, caso não haja um acordo para a “compra da Groenlândia”, território semiautônomo da Dinamarca, aliada da Otan e integrante da UE. A escalada levou líderes europeus a afirmarem que o presidente americano ultrapassou uma linha vermelha.
Segundo von der Leyen, a resposta do bloco será “firme, unida e proporcional”, sem detalhar quais medidas serão adotadas. Líderes da UE devem realizar uma reunião emergencial em Bruxelas, na quinta-feira, para avaliar possíveis retaliações.
O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, afirmou que os 27 países do bloco estão unidos em apoio à Dinamarca e à Groenlândia e prontos para “se defender contra qualquer forma de coerção”.
Segundo a Bloomberg, diplomatas europeus concordaram em buscar uma solução diplomática com o governo Trump, ao mesmo tempo em que preparam alternativas de resposta caso os Estados Unidos avancem com novas tarifas, consideradas uma violação do acordo comercial firmado no verão europeu.
O pacto, alvo de críticas internas por supostamente conceder vantagens excessivas a Washington, estabeleceu uma tarifa americana de 15% sobre a maioria dos produtos europeus, em troca do compromisso da UE de eliminar tarifas sobre bens industriais americanos e parte dos produtos agrícolas.
Von der Leyen, responsável pelas negociações comerciais do bloco, articulou o acordo para evitar uma guerra comercial ampla com Trump. O futuro do pacto, no entanto, tornou-se incerto após líderes do Parlamento Europeu afirmarem que podem suspender a tramitação do acordo diante das novas ameaças tarifárias.
Entre as medidas em discussão está a reativação de tarifas sobre 93 bilhões euros em produtos americanos, incluindo aviões da Boeing, automóveis e bourbon. Essas tarifas haviam sido suspensas no ano passado antes da conclusão do acordo comercial.
A UE também avalia acionar seu instrumento anticorrupção comercial, considerado o mecanismo mais duro do bloco, que permite responder a ações coercitivas de países terceiros. As opções incluem tarifas adicionais, taxas, restrições a investimentos e limitação do acesso de empresas americanas ao mercado europeu ou a contratos públicos.
Em apoio à Groenlândia, von der Leyen afirmou que a Comissão trabalha em um pacote que inclui um “forte aumento de investimentos europeus” e cooperação com os Estados Unidos e outros parceiros em segurança no Ártico, tema que deve integrar a nova estratégia de segurança da UE.
Ela defendeu ainda que o aumento dos gastos com defesa seja direcionado ao desenvolvimento de uma capacidade europeia de quebra-gelos e outros equipamentos considerados essenciais para a segurança da região.
Trump também gerou preocupação entre aliados europeus ao propor a criação de um Conselho de Paz, inicialmente voltado à crise em Gaza, mas visto como uma tentativa de contornar a ONU, com taxa de adesão de US$ 1 bilhão. Líderes europeus, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron, recusaram participar do lançamento.
Após a recusa francesa, Trump afirmou que poderia impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses.