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Premiê alemão diz que UE pode impor tarifas recíprocas aos EUA se necessário

Friedrich Merz reforçou que essas hostilidades afetam principalmente os consumidores dos países envolvidos e que vai priorizar o diálogo com Trump

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 17h07.

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O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda-feira, 19 de janeiro, que não deseja que a União Europeia (UE) precise impor tarifas em resposta aos Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump avance com ameaças de taxação por seu interesse em controlar a Groenlândia. No entanto, sinalizou que o bloco está preparado para responder.

Durante coletiva de imprensa em Berlim, Merz ressaltou que medidas desse tipo afetam principalmente os consumidores do país que as aplica, mas reconheceu que também há impactos negativos para as economias europeia e alemã.

"Não queremos uma guerra tarifária, mas se formos confrontados com tarifas que nos pareçam desproporcionais, estamos em condições de reagir", declarou Merz em uma entrevista coletiva de seu partido em Berlim, no âmbito da campanha eleitoral para o pleito regional de Renânia-Palatinado.

Segundo ele, a União Europeia vai reagir de forma "serena e proporcional", priorizando a preservação da coesão europeia e da Otan, aliança militar transatlântica.

Merz disse não desejar uma nova disputa comercial com os EUA, embora tenha reiterado que o bloco europeu tem capacidade para reagir a possíveis sanções.

"A economia dos EUA tem problemas e isso, a meu ver, tem a ver com as tarifas que foram impostas. Não queremos uma nova disputa comercial com os EUA, mas se formos confrontados com novas tarifas, estamos em capacidade de reagir", ressaltou.

Tentativa de diálogo com Trump

Ao comentar a postura de Trump, Merz lembrou que, nos últimos doze meses, houve ameaças frequentes de taxação, mas que, em diversas ocasiões, o presidente americano optou por negociar. O chanceler indicou que pretende manter essa abordagem e que tentará dialogar com Trump durante o Fórum de Davos, na quarta-feira.

Questionado sobre a Groenlândia, Merz disse que a Alemanha está atenta à situação de segurança da região e que a avaliação americana sobre ameaças não parece tão urgente, considerando a redução da presença militar dos EUA na base de Pituffik, de mais de 30 mil soldados no passado para menos de 200 atualmente.

"Portanto, evidentemente, a própria análise de ameaças dos Estados Unidos não é tão dramática quanto se apresenta neste momento, o que não significa que não possa voltar a piorar. A situação de segurança poderia tornar-se mais complexa", disse.

Ele também apontou que mudanças climáticas tornaram a Groenlândia mais acessível e estratégica devido a novas rotas marítimas e à presença de recursos naturais, o que deve atrair mais atenção internacional nos próximos anos. Ainda assim, defendeu o respeito à integridade territorial e à soberania do território.

Merz informou que a Alemanha enviou uma equipe de exploração à Groenlândia, a exemplo de outros países da UE e da Otan, com o objetivo de avaliar medidas para reforçar a segurança local — medidas que, segundo ele, são de interesse da aliança e "não direcionadas contra nenhum país".

O chanceler concluiu afirmando que vê margem para resolver o impasse por meio do diálogo com os Estados Unidos.

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