País dividido: 53% dos americanos apoiam impeachment de Trump

O patamar de apoiadores do impeachment é parecido ao do primeiro processo contra o presidente, em janeiro de 2020, à época barrado no Senado

Enquanto a Câmara dos Estados Unidos se prepara para votar nesta quarta-feira o processo de impeachment contra o presidente Donald Trump, o país segue dividido sobre o tema.

No geral, 52,7% dos americanos apoiam o impeachment, segundo a média das pesquisas compilada pelo site FiveThirtyEight. Outros 41,7% são contrários.

A base para o processo de impeachment é a invasão do Capitólio na semana passada, quando apoiadores de Trump adentraram o local enquanto os congressistas votavam a ratificação da vitória de Joe Biden como próximo presidente americano.

Desde então, dezenas de pessoas foram presas e o FBI procura outros nomes que apareceram nas imagens da invasão, que levou verdadeiras cenas de guerra à capital americana. Na ocasião, congressistas tiveram de ser evacuados da sala de votação no Capitólio.

Na prática, a fatia de apoiadores do impeachment fica próxima ao percentual que já votou em Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro, quando o democrata venceu com quase 52% dos votos.

As pesquisas mostram cenário parecido: apesar da invasão do Capitólio e todas as críticas recebidas por Trump desde então — incluindo dentro do próprio Partido Republicano –, o apoio ou não ao impeachment ainda tem forte relação com o partido dos eleitores, como mostram os números.

Dos que apoiam a retirada do presidente, 84% é democrata e 15,5% é republicano. Entre os independentes, os fiéis da balança, a fatia de apoiadores do impeachment é de pouco menos da metade, em 48,6% (embora o número tenha subido três pontos percentuais desde a invasão).

Para além da média das pesquisas, a sondagem mais recente, do instituto YouGov com a rede de TV CBS (com 1.521 entrevistados), apontou que 55% dos americanos são a favor do impeachment e concordam com o fato de as acusações terem como base a invasão do Capitólio.

Uma fatia maior, de 74% dos ouvidos, também prevê que é provável que haja mais atos de violência em Washington D.C na próxima semana. A posse de Biden está marcada para daqui a uma semana, na próxima quarta-feira, 20 de janeiro.

Os números divididos de apoio ao impeachment mostram ainda cenário semelhante ao do primeiro processo de impeachment contra Trump, em janeiro de 2020. Em um rito muito mais demorado do que dessa vez, esse primeiro processo foi aprovado pela Câmara democrata na ocasião, quando o presidente foi acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso. Na sequência, o Senado, de maioria republicana, votou contra ambos os casos.

Como votam os rebublicanos

Na votação do impeachment de hoje, contudo, os democratas esperam contar com alguma ajuda também dos republicanos. Ao menos cinco deputados do partido afirmaram que votariam a favor do impeachment.

Com ou sem apoio republicano, o processo deve passar na Câmara, que tem maioria democrata e, além disso, só exige uma maioria simples para aprovar a remoção do presidente. No Senado, no entanto, serão precisos dois terços dos senadores, o que tornará mais importante os votos republicanos.

Membros da Guarda Nacional dormem no Capitólio nesta quarta-feira: após a invasão da semana passada, tropas visam garantir a segurança do rito de impeachment

Membros da Guarda Nacional dormem no Capitólio nesta quarta-feira: após a invasão da semana passada, tropas visam garantir a segurança do rito de impeachment (Brendan Smialowski/AFP)

Embora os democratas tenham ganhado uma pequena vantagem com a vitória de dois senadores na Geórgia na semana passada, a vantagem ainda será muito pequena mesmo após a posse do novo Congresso. Seria preciso que ao menos 17 republicanos dos 100 senadores votassem contra Trump.

O impeachment também não deve terminar no Senado antes da posse de Biden, de modo que pode nublar o começo do mandato do novo presidente.

Assim, na prática, mais do que retirar Trump do cargo, o processo deve funcionar como definição do futuro do presidente na vida pública. A depender de como o caso avance, Trump pode, por exemplo, ficar impedido de se candidatar de novo em 2024.

A grande dúvida é o quanto republicanos no Senado podem apoiar o impeachment. Ontem, o New York Times divulgou que o líder republicano na Casa, Mitch McConnell, estaria avaliando a ideia de apoiar em partes o processo para que Trump perca força internamente dentro do partido.

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