Repórter
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 06h39.
O ministro da Defesa da Suécia, Pal Jonson, afirmou nesta segunda-feira que a Dinamarca propôs uma presença mais frequente de forças da Otan na Groenlândia, em uma reunião com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte.
"Vamos ver qual é a forma mais construtiva em que poderíamos contribuir para este esforço de fortalecer a presença da aliança, a presença dos nossos países aliados, nas altas latitudes”, declarou Jonson a jornalistas após se reunir com outros ministros da Defesa dos países nórdicos na sede da Otan.
Jonson explicou que, após se reunir com Rutte, o ministro dinamarquês da Defesa, Troels Lund Poulsen, e a responsável pelas Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, informaram aos colegas nórdicos sobre a iniciativa de destacar uma missão da Otan em torno da ilha, que o presidente americano, Donald Trump, deseja anexar aos Estados Unidos.
“Acreditamos que essa poderia ser uma forma de avançar. Também dissemos que destacaríamos um pelotão da nossa Guarda Nacional para realizar exercícios no ambiente ártico”, detalhou.
Ele lembrou que sete dos oito países árticos são membros da aliança, por isso “é natural que a Otan preste mais atenção ao que está acontecendo no Alto Norte”.
Do seu ponto de vista, a proposta dinamarquesa foi “uma forma construtiva de avançar por parte da Dinamarca para ampliar também a resistência no Ártico”.
Jonson disse que lhe “chamou a atenção o quão unidas estão a Groenlândia e a Dinamarca neste tema”.
Questionado se acredita que essa proposta satisfaz os EUA, Jonson afirmou que “o que tomamos nota é de que os EUA sinalizaram que é necessário levar mais intenções ao Ártico e ao extremo norte”.
“E acredito que esta é uma forma construtiva de avançar por parte da Dinamarca, ampliando o alcance, por assim dizer, do exercício que estamos realizando”, comentou.
Jonson também declarou que a Otan está ciente das atividades da China na região ártica, "sobretudo no que se refere a navios de pesquisa”, e de que a Rússia “está realocando algumas instalações militares”.
“Ninguém tem a menor dúvida de que todos os países nórdicos apoiam firmemente nossos amigos da Groenlândia e da Dinamarca. Defendemos a integridade territorial que estamos construindo agora participando também na resistência ártica. E sei que há um processo político que a Dinamarca e os Estados Unidos decidiram, por isso sigamos em frente com esse processo como está. Acredito que é a melhor maneira de proceder”, concluiu.
A agenda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, parece ter um assunto que deve guiar todas as discussões durante o evento. Em nova ofensiva diplomática, Trump declarou que pretende reunir diversas lideranças para discutir sua ambição de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
Segundo publicação feita em seu perfil oficial no Truth Social, Trump afirmou ter tido uma “ótima ligação telefônica” com Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), para tratar da segurança no Ártico. Ele anunciou que aceitou um encontro multilateral em Davos, embora não tenha especificado os participantes. “A Groenlândia é imperativa para a segurança nacional e mundial”, escreveu.
A declaração reacende tensões diplomáticas com aliados europeus e ocorre dias após Trump dizer que “temos que ter” a Groenlândia. Em entrevista a jornalistas no local, Trump afirmou que a oposição europeia "não irá resistir muito".
O primeiro-ministro francês, Emmanuel Macron, se tornou o principal opositor do plano. Em resposta às ameaças comerciais feitas por Trump, Macron propôs que a União Europeia ative seu mecanismo mais duro de retaliação. O presidente dos EUA chegou a ameaçar tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses.
O atrito entre os dois líderes se intensificou após Macron recusar o convite de Trump para integrar um “Conselho de Paz” voltado à crise em Gaza. Trump também publicou uma captura de tela de uma suposta mensagem enviada por Macron, em que o francês critica a posição americana sobre a Groenlândia: “Não entendo o que você está fazendo”.
Macron sugeriu, ainda, realizar uma reunião do G7 em Paris na quinta-feira, 22, com a participação de Ucrânia, Dinamarca, Rússia e Síria.
A movimentação dos EUA ocorre em paralelo à tentativa de Trump de vincular sua postura sobre a Groenlândia à frustração por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz. Em carta enviada ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, o presidente disse não se importar com a premiação, mas agradeceu a líder venezuelana María Corina Machado por ter lhe oferecido sua própria medalha.
Trump deve discursar em Davos por volta das 10h30, no horário de Brasília, nesta quarta-feira, 21. Ele prometeu destacar os resultados da economia americana, que classificou como a “mais quente do mundo”, citando altas no mercado de ações e aumento de investimentos.
Apesar das crescentes críticas internacionais, o presidente disse estar confiante na recepção de sua proposta. “Não há como voltar atrás. Todos concordam com isso”, escreveu, referindo-se à Groenlândia.
Até o momento, a Dinamarca não se manifestou oficialmente sobre o novo esforço americano.
*Com informações da EFE