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Ormuz pesa sobre a Arábia Saudita e PIB deve cair 1,8% em 2026, prevê OCDE

Organização projeta retração de 1,8% neste ano e crescimento de 4,1% no próximo, em meio aos efeitos do conflito no Oriente Médio

Mohammed bin Salman: líder saudita é um dos mais influentes do mundo, mas país sente a pressão dos conflitos em dois corredores importantes ao petróleo (Getty Images)

Mohammed bin Salman: líder saudita é um dos mais influentes do mundo, mas país sente a pressão dos conflitos em dois corredores importantes ao petróleo (Getty Images)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 23 de setembro de 2026 às 12h40.

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A economia da Arábia Saudita deve encolher 1,8% em 2026, segundo a nova projeção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgada nesta quarta-feira, 23. O país aparece entre as economias mais afetadas diretamente pelo conflito no Oriente Médio, em um cenário de redução da oferta de energia e interrupções nas rotas de exportação.

A projeção representa uma forte mudança em relação ao desempenho de 2025, quando a OCDE estima que o PIB saudita tenha crescido 4,6%. A organização prevê, no entanto, uma recuperação rápida no ano seguinte, com expansão de 4,1% em 2027.

Segundo a OCDE, a atividade econômica caiu de forma significativa nos países diretamente atingidos pelo conflito, entre eles a Arábia Saudita. A redução da oferta de petróleo e gás do Golfo, combinada a dificuldades para transportar os produtos, provocou um choque que atingiu produção, comércio e demanda.

Ormuz é um dos principais riscos para a economia

Um dos pontos centrais para a perspectiva saudita é o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de energia. A OCDE também menciona as dificuldades de navegação no Estreito de Bab al-Mandab, outra passagem importante para o transporte de mercadorias e combustíveis onde sauditas travam conflito com rebeldes houthi do Iêmen.

O problema não se limita à produção. A organização afirma que a duração das interrupções nas exportações será determinante para o desempenho econômico dos países da região. Uma crise mais prolongada poderia manter petróleo e gás em níveis elevados de preço e aumentar os custos para empresas e consumidores.

A OCDE destaca que os efeitos do choque energético foram parcialmente absorvidos até agora por estoques de petróleo, oferta adicional de energia fora do Golfo, redução do consumo e medidas de apoio adotadas por governos. Ainda assim, os riscos permanecem elevados, em um cenário que também pressiona a economia global diante dos efeitos da guerra no Oriente Médio.

Inflação saudita permanece relativamente baixa

Apesar do forte impacto sobre o PIB, a inflação da Arábia Saudita deve permanecer relativamente contida em comparação com outras economias analisadas pela OCDE.

A organização projeta inflação de 1,8% em 2026, com leve alta para 2,1% em 2027. O comportamento dos preços, portanto, contrasta com o de economias que enfrentam maior pressão inflacionária devido ao choque energético.

No cenário global, a OCDE prevê inflação de 4,1% no G20 em 2026, antes de uma queda para 3,6% em 2027. A entidade também alerta que uma interrupção mais prolongada no fornecimento de energia poderia manter a inflação elevada por mais tempo.

PIB volta a crescer em 2027

Apesar da retração prevista para 2026, a perspectiva muda de forma significativa no ano seguinte. A OCDE projeta crescimento de 4,1% para a Arábia Saudita em 2027, o que praticamente levaria a economia de volta a um ritmo de expansão elevado após o choque deste ano.

A recuperação depende da normalização gradual dos mercados de energia. A projeção da organização considera que os preços de petróleo e gás devem recuar ao longo de 2027, acompanhando a recuperação da oferta. Esse movimento ajudaria a reduzir os custos de energia e a recompor a atividade econômica nos países afetados.

No cenário da OCDE, uma resolução rápida e duradoura do conflito, com a reabertura completa do Estreito de Ormuz, poderia produzir um efeito ainda mais favorável, ao derrubar os preços de energia e aliviar as pressões inflacionárias. A retomada da economia mundial também seria favorecida por uma normalização mais rápida dos mercados de energia.

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