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ONU acusa Israel de impor 'apartheid' na Cisjordânia

Documento nas Nações Unidas afirma que houve uma deterioração drástica dos direitos palestinos nos territórios ocupados

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 08h44.

Última atualização em 7 de janeiro de 2026 às 08h46.

A Organização das Nações Unidas (ONU) acusou nesta quarta-feira, 7, Israel de intensificar práticas de discriminação e segregação contra a população palestina na Cisjordânia. O órgão pediu que o país ponha fim ao que descreve como um "sistema de apartheid" nos territórios ocupados.

A avaliação consta de um novo relatório do escritório de direitos humanos da ONU, que aponta uma deterioração drástica da discriminação sistemática contra os palestinos nos últimos anos.

Segundo o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk, há um processo contínuo de asfixia dos direitos dos palestinos na Cisjordânia, com impactos diretos sobre a vida cotidiana da população.

"Seja para acessar água, ir à escola, buscar atendimento hospitalar, visitar familiares ou amigos, ou colher azeitonas, cada aspecto da vida dos palestinos na Cisjordânia é controlado e restringido por leis, políticas e práticas discriminatórias de Israel", disse Türk.

O relatório afirma que as autoridades israelenses submetem colonos israelenses e palestinos que vivem na Cisjordânia a dois regimes jurídicos e políticas distintos, resultando em tratamento desigual.

Para o alto comissário, o conjunto dessas medidas configura uma forma especialmente grave de discriminação e segregação racial, comparável a sistemas de apartheid já observados no passado.

Essa é a primeira vez que um chefe do órgão de direitos humanos utiliza esse termo para descrever a situação na Cisjordânia.

Situação dos palestinos na Cisjordânia

Os palestinos, diz o texto, continuam sofrendo confiscações massivas de terras, privação de acesso a recursos e processos em tribunais militares que “violam sistematicamente o direito ao devido processo”.

Türk exige que Israel revogue leis, políticas e práticas que perpetuem a discriminação sistêmica baseada em raça, religião ou origem étnica. A ONU aponta ainda que a situação foi agravada pela violência de colonos, muitas vezes “com a aquiescência, o apoio e a participação das forças de segurança israelenses”.

Mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, território ocupado desde 1967. A violência se intensificou após o ataque do movimento islamista palestino Hamas, em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.

Desde o início do conflito, mais de mil palestinos morreram na Cisjordânia em ações de tropas israelenses e de colonos, segundo levantamento da AFP com base em dados do Ministério da Saúde palestino. Pelas cifras oficiais israelenses, ao menos 44 israelenses morreram em ataques palestinos ou em operações militares no mesmo período.

O relatório afirma ainda que, desde o começo da guerra em Gaza, as autoridades israelenses ampliaram o uso de força ilegal, detenções arbitrárias e tortura, além de haver expansão dos assentamentos e mortes de palestinos com “quase total impunidade”.

O texto diz ter encontrado “motivos razoáveis” para crer que essa segregação e subordinação têm intenção de ser permanentes.

*Com informações da AFP e do Globo

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