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O valor de uma idéia simples

Ao mudar o formato das embalagens de seus produtos, a subsidiária brasileira da Unilever diminuiu em quase 30% o consumo de papel

Prianti, presidente da Unilever (--- [])

Prianti, presidente da Unilever (--- [])

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Da Redação

Publicado em 14 de outubro de 2010 às 13h26.

Com uma idéia aparentemente simples, a subsidiária brasileira da Unilever poupou 2 000 árvores em 2006. A tradicional caixa vertical do sabão em pó Omo, líder em vendas há 50 anos, foi substituída por uma versão horizontal -- mantendo a porção de 1 quilo do produto. Como o novo formato permite o melhor aproveitamento da matéria-prima usada nas embalagens e do espaço nos caminhões que transportam o produto, a companhia diminuiu em 31% o papel-cartão usado na confecção das embalagens e em 5% o papelão das caixas de transporte. "É a mesma quantidade de sabão, com um benefício ambiental imenso", diz Vinícius Prianti, presidente da Unilever. A idéia brasileira já foi copiada pela subsidiária da Unilever no Chile. Nos demais países, o sabão em pó é vendido em sacos plásticos.

A proposta de mudança da embalagem foi apresentada à direção da Unilever no final de 2005 e nasceu de uma sugestão de um grupo de funcionários da área de desenvolvimento de sabão em pó. Porém, até levar o produto às gôndolas dos supermercados um longo caminho foi percorrido. O processo incluiu pesquisas de opinião com donas de casa -- e, à primeira vista, elas não ficaram exatamente empolgadas com a inovação. "Elas tendem a ser um público mais tradicionalista", diz Prianti. "Ainda assim, entendemos que a idéia era boa o suficiente para ser levada adiante."

Para apresentar a nova embalagem ao consumidor, a Unilever realizou uma campanha publicitária enfatizando que a quantidade do produto seria preservada. O sucesso com o público e a economia gerada pela mudança foram tão grandes que a empresa decidiu investir ainda mais na estratégia -- com o caminho aberto por Omo, meses depois a Unilever trocou também as embalagens das marcas Minerva e Brilhante.
 

Ganhos ambientais
A economia de embalagem não foi o único avanço ambiental recente da Unilever. No ano passado, a empresa reduziu o consumo de água (14%), de energia (9%), a demanda química de oxigênio (38%), além das emissões de poluentes como óxido de enxofre (21%) e dióxido de carbono (10%). Os resultados são parte de um programa de redução do impacto ambiental da companhia que estabelece metas até 2011.

Para coordenar suas iniciativas sociais, em 2002 a empresa criou o Instituto Unilever. Há dois anos, o instituto "adotou" uma cidade pernambucana com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) -- a pequena Araçoiaba, com 17 000 habitantes, na região metropolitana de Recife. Por meio desse projeto, que termina no final deste ano, a Unilever investiu 3 milhões de reais em educação, saúde e desenvolvimento econômico da cidade. Os primeiros resultados já começam a aparecer. A mortalidade infantil, por exemplo, caiu 6% em dois anos. Apesar desses avanços, alguns especialistas acreditam que a empresa poderia fazer mais. "As ações ainda não correspondem ao tamanho da organização", afirma o consultor Marco Antonio Fujihara, do Instituto Totum, especializado em sustentabilidade. Para ele, a responsabilidade social deveria perpassar todos os setores da empresa -- e não ficar restrita a uma área. "Entidades criadas à parte, como o Instituto Unilever, só fazem sentido num estágio inicial, como um processo de aprendizado", diz Fujihara. "Num modelo ideal, o responsável por sustentabilidade não seria o presidente do instituto, mas o próprio presidente do conselho administrativo da organização." Essa é a melhor forma, diz ele, de garantir que as decisões empresariais estejam alinhadas com as necessidades da sociedade e do meio ambiente.

Avaliação da empresa
Pontos fortes
- Considera aspectos socioambientais de curto,médio e longo prazos em suas principais decisões.
- Adota estratégias para a redução do consumo de água e energia e das emissões de poluentes.
- Promove a diversidade. Mais de 30% dos cargos de gerência e diretoria são ocupados por mulheres.
Pontos fracos
- Não tem programa voluntário de neutralização das emissões de carbono relativas a processos nãoprodutivos, como o transporte.
- Não possui um conselho fiscal em funcionamento.
- Não publica a Demonstração de Valor Adicionado (DVA)- informe contábil que mostra a riqueza gerada pela companhia e sua distribuição na forma de salários, tributos,despesas financeiras, lucros e dividendos.
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