Nova passeata estudantil em Santiago termina com distúrbios

A Polícia Militar do Chile estimou cinco mil os presentes na passeata; ainda não se conhece até agora dados de detidos

Santiago - Os estudantes voltaram a sair às ruas de Santiago do Chile nesta quinta-feira, em meio à discussão do orçamento de 2013 e faltando duas semanas para as eleições municipais, em uma convocação que reuniu cerca de cinco mil pessoas e que terminou com violentos distúrbios.

Os jovens partiram às 18h30 locais (mesma hora de Brasília) da cêntrica Plza Itália para percorrer todo o Parque Bustamante até chegar à Avenida Matta, segundo o trajeto permitido pelas autoridades.

O horário da manifestação, convocada por estudantes do ensino médio e universitários e por sindicatos de professores e funcionários, pretendia facilitar a participação de pais e trabalhadores ao término de sua jornada de trabalho.

A Polícia Militar do Chile estimou cinco mil os presentes na passeata. Ainda não se conhece até agora dados de detidos, mas a Agência Efe presenciou dezenas de detenções durante o protesto.


Meia hora após o início da passeata, um grupo de jovens começou a provocar distúrbios e a acender o pavio do que depois se transformou em uma batalha campal.

Centenas de jovens, a maioria deles encapuzados, arrancaram sinais, lixeiras, paralelepípedos, bancos de parque e algumas das cercas metálicas das ruas da capital chilena. Além disso, queimaram uma cabine de segurança e atacaram a sede de uma companhia de bombeiros.

Também enfrentaram com pedras e paus os policiais, que para dispersá-los usaram jatos de água, além de bombas de gás lacrimogêneo e pistolas com balas de tinta para poder marcá-los e depois detê-los.

Os distúrbios obrigaram a fechar uma estação de metrô e a desviar o recorrido / percurso de muitos ônibus, o que agravou os engarrafamentos frequentes em hora do rush.

'Os incidentes sempre são lamentáveis. Esperamos que no final do dia se fale de educação, das propostas que fizemos e não disto que termina desviando a atenção', declarou o presidente da Federação de Estudantes da Universidad de Chile, Gabriel Boric.

Desde 1981, as escolas de ensino médio são administrados pelas autoridades municipais e uma das principais reivindicações dos estudantes é que voltem a passar à órbita do Ministério da Educação.

Os estudantes do ensino médio reivindicam também que os candidatos às eleições municipais se comprometam a não fechar colégios nem fundi-los, como consequência da queda do número de alunos inscritos em colégios públicos, que caiu de 88% há 30 anos para 36% atualmente.

A convocação desta quinta-feira estava concentrada em Santiago, mas também foram registradas pequenas manifestações em cidades como Valparaíso, com três mil pessoas, e Valdivia, com mil participantes.

Os estudantes começaram a mobilizar-se em maio de 2011 para exigir uma mudança do sistema imposto em 1981 pela ditadura de Augusto Pinochet, que reduziu a participação estatal e abriu a educação ao setor privado. EFE

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