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Milei diz que ONU é 'leviatã' e que Argentina vai abandonar neutralidade histórica

Líder do país fez discurso na Assembleia Geral da entidade, em Nova York

Javier Milei, presidente da Argentina, durante discurso na ONU (Michael M. Santiago /AFP)

Javier Milei, presidente da Argentina, durante discurso na ONU (Michael M. Santiago /AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 24 de setembro de 2024 às 18h05.

O presidente da Argentina, Javier Milei, fez um discurso incisivo ao falar pela primeira vez na Assembleia-Geral da ONU, nesta terça, 24, em Nova York.

Milei criticou o Pacto do Futuro, assinado no domingo por vários países. Atacou também a Agenda 2030, que chamou de "programa socialista" e disse que a própria ONU tem falhado em suas missões.

"Uma organização que tinha sido pensada como um escudo para proteger o reinado dos homens se transformou em um leviatã de múltiplos tentáculos que pretende dizer não só o que deve fazer cada estado-nação e como devem viver todos os cidadãos do mundo", discursou.

O argentino disse que a Agenda 2030, embora seja bem-intencionada, "não é outra coisa senão um programa de governo supranacional de corte socialista" e que o plano, que traz 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, ameaçaria o direito à liberdade das pessoas.

Milei acusou ainda a ONU de não ajudar a defender a soberania de seus membros, e citou o caso das Ilhas Malvinas, um território sob controle do Reino Unido que é reivindicado pela Argentina há décadas, e da Ucrânia, invadida pela Rússia em 2022.

Fim da neutralidade

O presidente prometeu uma mudança na atuação de seu país. "A Argentina vai abandonar a posição de neutralidade histórica que nos caracterizou e vai estar na vanguarda da luta em defesa da liberdade", disse.

Ao final do discurso, Milei disse "Viva a liberdade, c****", seu lema de campanha. O libertário foi eleito ano passado e tomou posse como presidente em dezembro de 2023.

Nesta terça, Milei ainda teria encontros com Daniel Noboa, presidente do Equador, e Úrsula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

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