Melania Trump, primeira-dama dos EUA em foto oficial (Régine Mahaux/Divulgação)
Repórter
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 18h50.
Lançado nessa quinta-feira, 29, com estreias exclusivas por convite em 21 cidades, o novo documentário da Amazon “Melania” revela um pouco da vida privada da primeira-dama dos Estados Unidos e esposa do presidente Donald Trump, Melania Trump.
Cercado por controvérsias, a produção custou 40 milhões de dólares, com um adicional de 35 milhões em esforços de marketing, para um total de US$ 75 milhões. Desse total, cerca de 30 milhões foram embolsados pela esposa do republicano, segundo o The Guardian.
O documentário, que acompanha a primeira-dama por 20 dias antes da nova inauguração de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, deve chegar às telas públicas nessa sexta-feira, 30: o filme será exposto em mais de 1.770 cinemas americanos e em cerca de 3.000 telas distribuídas em mais de 20 países pelo mundo.
Até então, a Amazon não compartilhou o filme com críticos, e não o fará até a estreia pública. Na semana passada, Donald Trump disse tert assistido trechos do filme. "Está incrível", afirmou.
Apesar disso, a resposta do público vem sendo mista: em regiões com uma forte base republicana, cinemas reportam vendas consideráveis de ingressos, com uma sessão em Dallas no Texas já quase lotada e estima-se que o filme consiga arrecadar cerca de US$ 5 milhões ao longo do fim de semana nos EUA e no Canadá.
A cifra é considerada boa para um documentário estreando nos cinemas. O análogo Reagan, um documentário de 2024 sobre o presidente Ronald Reagan, arrecadou 7,7 milhões de dólares no fim de semana da sua estreia. Mesmo passando em mais do dobro de localizações, o thriller Mercy de Chris Pratt é estimado a faturar apenas US$ 10 milhões, segundo estimativas da área de entretenimento do jornal Puck.
Por outro lado, todas essas produções custaram bem menos do que 40 milhões de dólares. No lado oposto do espectro, o filme biográfico de Donald Trump The Apprentice – A História de Trump (2024), faturou apenas 2 milhões de dólares.
Na África do Sul, país sobre o qual a segunda administração de Trump foi altamente crítica, implementando altas tarifas e sugerindo que a minoria branca no país estaria sendo alvo de genocídio, o filme foi retirado de cartaz na última hora:
“Com base nos acontecimentos recentes, tomamos a decisão de não prosseguir com o lançamento nos cinemas neste território”, afirmou a distribuidora sul-africana Filmfinity em comunicado ao The New York Times.
O documentário foi a primeira produção em 12 anos do diretor Brett Ratner, figura controversa por trás de nomes como A Hora do Rush (1998), X-Men: O Confronto Final (2006) e Dragão Vermelho (2002). Em 2017, Ratner foi acusado por diversas mulheres, como parte do MeeTooMovement – um movimento social contra abusos sexuais por meio do qual diversas vítimas contam suas histórias – por assédio sexual, estupro e homofobia.
As acusações custaram acordos milionários para Ratner, que perdeu contratos com a empresa Warner Bros no valor de 450 milhões de dólares. De acordo com apuração do The Guardian, o controverso diretor teria compensado pelo tempo longe das produções com gravações caóticas, empregando 3 equipes de filmagem para seguir a primeira-dama.
Sobre a escolha do diretor, Melania disse que o importante era que “Ele capte a minha ideia, o que eu tinha em mente, e o filme cinematográfico que eu queria realizar. Então ele foi o melhor, e foi ótimo trabalhar com ele.”
Mesmo assim, o filme traz um certo apelo por revelar um lado pouco conhecido da política americana: a vida das primeiras-damas, que muitas vezes é relegada aos arquivos anos após o fim do mandato de seus maridos.
“Sou uma pessoa muito reservada e muito seletiva – no que faço, no que não faço, quando falo, quando não falo. E essa é a minha escolha, e ninguém manda em mim”, disse a esposa de Trump durante uma participação no programa “The Five” da Fox News na noite de quarta-feira.