Mapa-múndi: diferentemente de um globo terrestre, adaptar o planeta terra a uma superfície plana gera distorções (Wikimedia Commons)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 14h38.
Última atualização em 4 de setembro de 2026 às 16h56.
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta sexta-feira, 4, um novo modelo para o mapa-múndi oficial. Proposto por países africanos, a nova representação do planeta Terra para a Organização é o Equal Earth Map. Com 164 votos a favor e seis abstenções, apenas os Estados Unidos votaram contra a resolução.
A decisão busca incentivar uma representação mais próxima das proporções reais dos continentes nos mapas. A resolução foi apresentada pelo Togo e recebeu apoio de outros países africanos, além da União Europeia.
Confira o mapa:
Novo mapa da ONU: o modelo 'Equal Earth' se tornou o novo padrão oficial para a representação do planeta e busca minimizar distorções de área (Equal Earth Map / Reprodução)
A adoção do Equal Earth, no entanto, não significa que o mapa de Mercator será proibido ou deixará de ser utilizado. A resolução não tem caráter obrigatório e funciona como um incentivo para que os países revejam a forma como mapas são apresentados, especialmente em materiais educacionais.
A principal crítica ao mapa de Mercator está na forma como ele representa o tamanho das áreas próximas aos polos. Criada pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator em 1569, a projeção foi desenvolvida para facilitar a navegação marítima. Nela, linhas retas indicam direções de bússola, característica que tornou o modelo especialmente útil para os navegadores.
O problema é que a projeção distorce o tamanho dos continentes. Quanto mais distante uma região está da linha do Equador, maior ela pode parecer no mapa em comparação com seu tamanho real.
Um dos exemplos mais conhecidos é a Groenlândia. Na projeção de Mercator, a ilha pode parecer ter dimensões semelhantes às da África. Na realidade, a Groenlândia tem cerca de um quatorze avos da área do continente africano. O Alasca também pode aparentar ser maior que o México, embora tenha uma área cerca de 25% menor.
Críticos da projeção afirmam que essa distorção pode contribuir para uma percepção de que países do Norte Global são maiores do que regiões tropicais e equatoriais.
Para defensores da mudança, isso ajuda a perpetuar uma visão eurocêntrica e associada ao passado colonial.
O Equal Earth é uma projeção cartográfica criada em 2018 pelos cartógrafos Bojan Savric, Bernhard Jenny e Tom Patterson. Diferentemente do modelo de Mercator, ele prioriza a representação proporcional do tamanho das áreas terrestres.
Para conseguir isso, o mapa abre mão da preservação das linhas retas de direção característica de Mercator. Seu desenho também possui bordas arredondadas, em vez do formato retangular tradicional, como forma de levar em conta a superfície esférica da Terra.
Assim como qualquer projeção, o Equal Earth também envolve escolhas e distorções. Isso ocorre porque não é possível transformar perfeitamente uma superfície esférica em uma representação plana sem alterar alguma característica, como forma, tamanho ou distância.
A resolução da ONU não proíbe a projeção de Mercator nem obriga os países a substituí-la pelo Equal Earth. A proposta busca ampliar a discussão sobre os efeitos das diferentes formas de representar a Terra e estimular o uso de mapas que apresentem de maneira mais proporcional o tamanho dos continentes.
A mudança também não é inédita. O Google, por exemplo, deixou de utilizar exclusivamente uma representação baseada em Mercator quando o usuário reduz o zoom no mapa para mostrar o planeta como um globo. A alteração ocorreu em 2018.
Algumas escolas também passaram a adotar outras projeções. As escolas públicas de Boston, nos Estados Unidos, começaram em 2017 a adquirir mapas baseados na projeção de Peters, que preserva as proporções entre as áreas dos países, embora distorça seus contornos.