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Maduro fala em negociar com os EUA combate ao narcotráfico

Apesar do aceno ao diálogo, Caracas critica pressão política e ações recentes de Washington, e evita comentar sobre operações da CIA na Venezuela

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 11h29.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que o país está disposto a negociar um acordo com os Estados Unidos para o combate ao narcotráfico e também para ampliar investimentos no setor petrolífero. A declaração foi feita em entrevista à emissora estatal VTV, divulgada nesta quinta-feira, 1º, em meio a um contexto de tensões recentes entre Caracas e Washington.

Segundo Maduro, o governo venezuelano está aberto a "conversas sérias, com fatos concretos" sobre cooperação antidrogas.

"O governo dos Estados Unidos sabe disso, porque já dissemos a muitos de seus porta-vozes que, se eles quiserem discutir seriamente um acordo para combater o narcotráfico, estamos prontos", afirmou o venezuelano.

O líder chavista, que defende o mesmo projeto político de seu antecessor, Hugo Chávez, ressaltou que a Venezuela considera ter um modelo "eficaz" de combate ao narcotráfico. E afirmou que as acusações envolvendo a participação do país nesse tipo de crime fazem parte de uma "narrativa política" que, segundo ele, não encontra respaldo nem mesmo nos Estados Unidos.

"Já que não podem me acusar, já que não podem acusar a Venezuela de ter armas de destruição em massa, já que não podem nos acusar de ter mísseis nucleares, de estar preparando uma arma nuclear, de ter armas químicas, então inventaram uma acusação que os Estados Unidos sabem ser tão falsa quanto a acusação de armas de destruição em massa, o que os levou a uma guerra sem fim", disse Maduro.

Apesar de falar em acordo, o presidente da Venezuela voltou a afirmar que o plano dos EUA é forçar uma mudança de poder em Caracas para ter acesso aos recursos naturais venezuelanos, como o petróleo.

Ele afirmou que, caso o governo americano tenha interesse na commodity, o país estaria disposto a receber investimentos dos EUA, citando como exemplo a atuação da Chevron.

Em dezembro, porém, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou um bloqueio "total e completo" de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela. A declaração do americano foi dada uma semana depois de os EUA apreenderem um petroleiro na costa da Venezuela, acusando o país sul-americano de violar sanções impostas por Washington.

"O que eles buscam é se impor por meio de ameaças, intimidação e força", afirmou o chavista, defendendo que qualquer avanço dependa de "racionalidade e diplomacia" por parte dos EUA.

Maduro evita comentar operação da CIA

Durante a entrevista, Maduro evitou comentar diretamente a operação da CIA em uma área portuária venezuelana, confirmada recentemente por Trump, que afirmou que a ação teria atingido estruturas usadas por cartéis de drogas.

Questionado sobre o tema, o presidente da Venezuela limitou-se a dizer que o assunto poderá ser tratado "daqui a alguns dias".

Ele também revelou que não conversa com Trump desde 12 de novembro, quando os dois tiveram uma ligação que classificou como "agradável". Desde então, segundo Maduro, a relação não evoluiu de forma positiva. "Vamos esperar", afirmou.

Pressão dos EUA

A acusação de que a Venezuela é controlada por narcotraficantes é uma das principais justificativas de Washington para suas ações contra o governo de Maduro.

Além das acusações formais contra o próprio presidente venezuelano, dois de seus sobrinhos, Franqui Francisco Flores de Freitas e Efraín Antonio Campos Flores, foram detidos no Haiti em 2016 por tráfico de drogas. Eles foram condenados nos Estados Unidos, mas libertados pelo presidente Joe Biden em troca de sete americanos detidos na Venezuela.

Agora, o Departamento do Tesouro retomou as investigações e impôs novas sanções a esses sobrinhos, além de Carlos Erik Malpica Flores, outro familiar de Maduro, e a seis empresas de navegação que transportam petróleo venezuelano.

Desde setembro, os Estados Unidos reforçaram sua presença militar na região, com o maior porta-aviões do mundo, caças e milhares de fuzileiros navais. Além disso, Trump autorizou a CIA a atuar dentro da Venezuela.

Em meio à campanha de pressão contra o governo de Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 29, que o país “atingiu” uma área na Venezuela onde barcos são carregados com drogas.

Seria a primeira operação em terra conhecida no território venezuelano, mas sem confirmação oficial sobre o alvo, a autoria da ação ou mesmo se o ataque ocorreu de fato dentro do país sul-americano, segundo a agência Reuters.

(Com informações da agência AFP)

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