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Lider supremo do Irã exige profunda reforma do Poder Judiciário

Mojtaba Khamenei quer que cidadãos do país possam confiar mais na Justiça, após milhares de mortes de manifestantes no começo do ano

Mulher exibe cartaz com retrato do líder do Irã, Mojtaba Khamenei, durante ato em Teerã em 9 de março
 (Atta Kenare/AFP)

Mulher exibe cartaz com retrato do líder do Irã, Mojtaba Khamenei, durante ato em Teerã em 9 de março (Atta Kenare/AFP)

EFE
EFE

Agência de Notícias

Publicado em 28 de junho de 2026 às 15h59.

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, exigiu neste domingo, 28, uma profunda reforma do Poder Judiciário do país para fortalecer a confiança dos cidadãos, acelerar os processos judiciais e reforçar a luta contra a corrupção e a violação de direitos.

"O papel do Poder Judiciário na República Islâmica do Irã é proteger os direitos do povo, revitalizar os direitos públicos e as liberdades legítimas, combater a corrupção, aplicar a justiça, estabelecer as normas divinas e supervisionar a aplicação da lei", afirmou Khamenei em comunicado por ocasião da Semana do Poder Judiciário, sem especificar casos ou dar detalhes sobre violações de direitos ou da lei.

A máxima autoridade política e religiosa do Irã, que não foi vista nem ouvida em público desde a sua nomeação em março, disse que "o resultado do sucesso neste caminho, além da satisfação divina, será o fortalecimento da confiança do povo neste pilar" da república islâmica.

Além disso, defendeu um sistema judicial no qual "todo oprimido" encontre amparo e no qual aqueles que detêm o poder não se atrevam a violar os direitos dos outros.

Resultados concretos

O líder supremo iraniano insistiu que a sociedade espera que a transformação judicial deixe de se limitar a documentos e planos e se traduza em resultados concretos, com uma "atuação mais firme contra a corrupção, uma redução da violação de direitos, maior rapidez na tramitação dos casos, sentenças de maior qualidade e um acesso mais fácil à justiça".

Khamenei acrescentou que a proteção dos direitos dos cidadãos não deve se limitar aos assuntos individuais, mas abranger também os direitos públicos e sociais, como a segurança econômica, a igualdade de oportunidades, o acesso equitativo aos recursos naturais, um meio ambiente saudável, as liberdades legítimas e uma governança eficaz.

Suas declarações ocorrem em um momento no qual o país registra um aumento das execuções de pessoas detidas durante os protestos antigovernamentais em janeiro e de réus acusados de crimes relacionados à segurança nacional em meio à guerra.

Os protestos de janeiro que exigiam o fim da república islâmica foram sufocados após uma dura repressão que causou a morte de 3.117 pessoas, segundo a contagem oficial, embora organizações de direitos humanos como a opositora HRANA, com sede nos Estados Unidos, elevem esse número para mais de 7.000.

A HRANA denunciou em um relatório recente que a situação dos direitos humanos no Irã é "preocupante", já que apenas em junho foram registradas 127 execuções e mais de 800 detenções relacionadas à liberdade de expressão.

O Irã é um dos países com o maior número de execuções no mundo e, em 2025, enforcou 2.159 pessoas, mais do que o dobro do registrado em 2024, a cifra mais alta de execuções no país em décadas, segundo a Anistia Internacional.

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