Ali Khamenei, líder supremo do Irã, em imagem de arquivo (AFP)
Repórter
Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 09h58.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou neste sábado que “vários milhares” de pessoas morreram durante os recentes protestos no país, responsabilizando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas vítimas e pelos danos registrados.
Em discurso em Teerã, durante evento que marcou o aniversário da escolha de Maomé como profeta do islã, Khamenei declarou que “elementos ignorantes e desinformados, sob a liderança de agentes mal‑intencionados e treinados”, cometeram crimes que resultaram nas mortes. As declarações foram divulgadas pelo site oficial do líder e pela agência “Tasnim”.
Até o momento, as autoridades iranianas não haviam apresentado números oficiais de mortos. ONGs de oposição no exílio estimam 3.428 vítimas e cerca de 19 mil detidos.
Khamenei afirmou que houve “atos extremamente desumanos”, citando casos de jovens supostamente presos e queimados vivos em mesquitas, além do assassinato de mulheres, homens e meninas com armas fornecidas do exterior. Segundo ele, 250 mesquitas e mais de 250 centros educacionais e científicos foram destruídos, além de danos a instalações elétricas, bancos, unidades de saúde e comércios essenciais.
O líder iraniano reiterou que Trump é responsável “pelas vítimas, pelos danos e pelas acusações contra a nação iraniana”. Ele afirmou que os protestos foram parte de um “complô americano” cujo objetivo seria “devorar o Irã”.
De acordo com Khamenei, o próprio presidente dos EUA teria desempenhado papel direto na crise, ao incentivar manifestantes e enviar a mensagem de que tinham apoio militar. Ele também acusou agentes dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel de atuarem para instigar o país e influenciar outros cidadãos.
Khamenei declarou que o Irã “não será levado à guerra”, mas que não deixará “impunes os criminosos internos e internacionais do complô americano”, cobrando que os Estados Unidos “prestem contas”.
As mobilizações começaram em 28 de dezembro após comerciantes de Teerã fecharem suas lojas em reação à queda do rial. Os protestos rapidamente se espalharam pelo país, com gritos de “Morte à República Islâmica” e “Morte a Khamenei”.
Segundo informações do governo iraniano, os dias 8 e 9 de janeiro marcaram o auge das manifestações, acompanhadas de vandalismo contra órgãos públicos, destruição de bancos e o incêndio de 53 mesquitas em diversas regiões.
Teerã afirma que protestos inicialmente motivados pela crise econômica tornaram‑se violentos devido à infiltração de agentes externos apoiados pelos Estados Unidos e Israel, com o objetivo de justificar uma intervenção militar norte‑americana — o que não ocorreu.
Trump, por sua vez, ameaçou atacar o país caso o número de mortos aumentasse quando ainda eram contabilizadas sete vítimas. Posteriormente, declarou que “há ajuda a caminho”, frase interpretada por muitos como um aviso de possível intervenção na República Islâmica.
Com informações da EFE