Repórter
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 15h31.
Os Estados Unidos impuseram novas sanções a autoridades e instituições iranianas nesta quinta-feira, 15 de janeiro, como parte da retomada da política de pressão contra o governo de Teerã.
A medida inclui bloqueios econômicos contra cinco oficiais do regime, entre eles o Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica, apontados como responsáveis por coordenar a repressão aos protestos no país, segundo informações da agência Reuters.
O Departamento do Tesouro dos EUA também justificou as sanções pela Prisão de Fardis, localizada no Irã, na lista de sanções, citando denúncias de tratamento "cruel, desumano e degradante" contra mulheres custodiadas na unidade.
O Secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, declarou governo de Donald Trump acompanha a movimentação de recursos ligados à cúpula iraniana em instituições financeiras estrangeiras.
“Como ratos em um navio afundando, vocês estão transferindo freneticamente fundos roubados de famílias iranianas para bancos ao redor do mundo”, disse Bessent em vídeo divulgado pelo Tesouro. Ele concluiu o comunicado afirmando que os EUA continuarão rastreando esses recursos e reforçou o apoio ao povo iraniano.
O representante do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, não se pronunciou oficialmente sobre as sanções. Autoridades iranianas seguem atribuindo a escalada dos protestos a ações de influência dos EUA e de Israel.
Em resposta à crise interna, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o governo busca conter os efeitos da inflação e da desvalorização cambial. Segundo ele, parte das medidas visa corrigir distorções econômicas que motivaram os protestos, com foco na melhora do poder de compra das camadas mais pobres da população.
A nova rodada de sanções integra a chamada política de maximum pressure ("pressão máxima", em tradução livre) reativada por Trump como estratégia para conter o avanço do Irã no cenário internacional. O plano envolve limitar exportações de petróleo e restringir o acesso do país a divisas estrangeiras, informou a Reuters.
O Departamento do Tesouro também anunciou medidas contra 18 indivíduos acusados de operar esquemas de lavagem de dinheiro por meio da venda clandestina de petróleo e derivados iranianos. As transações ocorreriam em redes de bancos paralelos, ou seja, instituições financeiras sancionadas que operam à margem do sistema bancário convencional.
Segundo dados da organização de direitos humanos HRANA, os protestos iniciados em 28 de dezembro resultaram até o momento na morte de 2.435 manifestantes e 153 integrantes ligados ao governo iraniano. O movimento, iniciado por manifestações contra o aumento de preços, tornou-se um dos maiores contra o regime desde a Revolução Islâmica, em 1979.
Trump já havia declarado anteriormente sua disposição em intervir politicamente em favor dos manifestantes. O secretário Scott Bessent reforçou essa linha ao afirmar que o Departamento do Tesouro continuará utilizando "todas as ferramentas disponíveis" contra violações aos direitos humanos cometidas pelo governo iraniano.