Amir Hatami: chefe do exército iraniano reagiu às falas de Donald Trump sobre intervenção no país. (AFP PHOTO / HO / IRANIAN ARMY MEDIA OFFICE/AFP)
Repórter
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 06h41.
O Irã classificou nesta quarta-feira, 7, as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre as manifestações no país como uma “ameaça” e afirmou que não permitirá que elas fiquem sem resposta.
A posição foi apresentada pelo chefe do Exército iraniano, general Amir Hatami, em declarações divulgadas pela agência estatal Fars.
Segundo Hatami, a escalada do discurso de Washington e Tel Aviv é vista por Teerã como um risco direto à segurança nacional. “O Irã considera a escalada da retórica inimiga contra a nação iraniana como uma ameaça e não tolerará que continue sem resposta”, afirmou o general.
As declarações ocorrem após Trump afirmar que os Estados Unidos poderiam intervir militarmente caso o governo iraniano reprima de forma violenta os protestos motivados pela crise econômica. Em publicação na rede social Truth Social, o republicano afirmou que os EUA estão preparados e armados para agir.
Netanyahu manifestou apoio público às manifestações.
Os protestos no Irã começaram no fim de dezembro, impulsionados pela alta do custo de vida e pela desvalorização da moeda, e se espalharam de Teerã para outras regiões do país. As manifestações incluíram o fechamento de estabelecimentos comerciais e ganharam escala após a confirmação das primeiras mortes, entre elas a de um integrante das forças de segurança.
Trump afirmou nas redes sociais que os Estados Unidos estão “preparados para agir” caso manifestantes pacíficos sejam mortos. Em resposta, autoridades iranianas classificaram qualquer intervenção americana como uma “linha vermelha” e alertaram para riscos de desestabilização regional.
O conselheiro do líder supremo Ali Khamenei, Ali Shamkhani, afirmou que “qualquer mão intervencionista que ataque a segurança do Irã sob qualquer pretexto será alvo de uma resposta”. Já Ali Larijani, outro assessor de Khamenei, declarou que uma interferência americana prejudicaria interesses dos próprios Estados Unidos e desestabilizaria toda a região.
O governo iraniano passou a tratar a agitação interna como um fator de risco para ações externas. Autoridades em Teerã avaliam que os protestos podem servir de justificativa para iniciativas de potências estrangeiras contra o regime.
Antes mesmo das declarações de Trump, a agência de inteligência de Israel, Mossad, publicou uma mensagem direcionada aos manifestantes, sugerindo apoio às mobilizações “em campo”, o que elevou o nível de alerta em Teerã.
Internamente, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian classificou os protestos como “legítimos” e orientou integrantes do governo a responder às demandas econômicas da população. Ao mesmo tempo, autoridades do regime indicaram que reagirão com firmeza a qualquer tentativa de instabilidade.
Em pronunciamento na televisão, Pezeshkian afirmou que a deterioração das condições de subsistência representa um risco político e moral para o país. “Se não resolvermos o problema da subsistência das pessoas, acabaremos no inferno”, declarou.
*Com informações da agência O Globo