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Irã promete se defender, mas espera solução diplomática com EUA

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que, caso o país seja atacado, exercerá o direito de autodefesa

Tensão entre EUA e Irã: os Estados Unidos exigem que o Irã abandone o enriquecimento de urânio, interrompa o apoio a militantes na região e aceite limites para seu programa de mísseis

Tensão entre EUA e Irã: os Estados Unidos exigem que o Irã abandone o enriquecimento de urânio, interrompa o apoio a militantes na região e aceite limites para seu programa de mísseis

Publicado em 22 de fevereiro de 2026 às 19h15.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo, 22, que o Irã responderá a qualquer agressão dos Estados Unidos, mas disse esperar uma solução diplomática e a realização de um novo ciclo de conversas sobre o programa nuclear na quinta-feira, 26, em Genebra.

Desde o início de fevereiro, os dois países realizaram dois ciclos de diálogo com mediação de Omã, com foco principal no programa nuclear. As negociações ocorrem sob a ameaça de um possível desdobramento militar dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Nas últimas semanas, Washington intensificou advertências em meio à repressão a protestos antigovernamentais no Irã, que, segundo organizações de direitos humanos, deixou milhares de mortos. As ameaças também buscam pressionar Teerã a fechar um acordo nuclear.

Araghchi declarou que, caso o país seja atacado, exercerá o direito de autodefesa. "Se os Estados Unidos nos atacarem, então temos todo o direito de nos defender. O que fizermos será um ato de autodefesa", afirmou. Ele acrescentou que, como os mísseis iranianos não alcançam o território americano, eventuais ações poderiam atingir bases dos EUA na região.

O chanceler disse ainda que representantes dos dois países trabalham nos elementos de um possível acordo. "Acho que ainda há boas possibilidades de alcançar uma solução diplomática baseada em um jogo em que todos saiam ganhando", afirmou à emissora americana CBS, acrescentando que os negociadores avançam no rascunho de um texto.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al Busaidi, confirmou a retomada das negociações e afirmou haver “um impulso positivo para chegar a um acordo”.

Trump quer saber por que Irã não se rendeu, diz enviado dos EUA

Já o enviado do presidente Donald Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, declarou que Trump está “curioso” para entender por que o Irã ainda não “se rendeu” diante da pressão americana e do reforço militar na região. Em entrevista à Fox News, Witkoff disse que o presidente questiona por que Teerã não declarou que não pretende obter uma arma nuclear e não apresentou concessões.

Segundo o enviado, o Irã estaria enriquecendo urânio a 60% de pureza, nível que classificou como “realmente perigoso”, e poderia estar a uma semana de obter material em nível industrial para a fabricação de bombas.

Os Estados Unidos exigem que o Irã abandone o enriquecimento de urânio, interrompa o apoio a militantes na região e aceite limites para seu programa de mísseis.

Teerã nega buscar armas nucleares e sustenta que seu programa tem fins pacíficos, embora insista no direito de enriquecer urânio. “Como país soberano, temos todo o direito de decidir por nós mesmos e por conta própria”, afirmou Araghchi.

Após o último ciclo de negociações em Genebra, o Irã informou que prepara uma proposta de acordo que pode ficar pronta em poucos dias. Um ciclo anterior foi interrompido quando Israel lançou uma campanha de bombardeios contra a república islâmica, dando início a uma guerra de 12 dias, da qual os Estados Unidos participaram com ataques a instalações nucleares iranianas.

As conversas recentes não afastaram o temor de um novo conflito. Moradores de Teerã relatam medo de guerra, e protestos voltaram a ocorrer em universidades do país, incluindo a Universidade de Tecnologia Sharif e instituições em Mashhad.

A agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, afirma ter confirmado a morte de ao menos 7.015 pessoas na recente onda de protestos. As autoridades iranianas, por sua vez, informaram que mais de 3.100 pessoas morreram, a maioria integrantes das forças de segurança ou civis.

Paralelamente, vários países recomendaram que seus cidadãos deixem o Irã enquanto houver voos comerciais disponíveis.

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