Tensão entre EUA e Irã: nas últimas semanas, Trump determinou um reforço significativo das forças americanas no Oriente Médio (Saul Loeb/AFP)
Redação Exame
Publicado em 22 de fevereiro de 2026 às 15h35.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está curioso para entender por que o Irã ainda não "se rendeu" e aceitou limitar seu programa nuclear, mesmo diante do aumento da presença militar americana no Oriente Médio. A declaração foi feita por seu enviado especial, Steve Witkoff.
Em entrevista ao programa My View with Lara Trump, da Fox News, Witkoff afirmou que Trump está "curioso" com a postura iraniana. "Não quero usar a palavra ‘frustrado’, porque ele entende que tem muitas alternativas, mas está curioso para saber por que eles não… Não quero usar a palavra ‘se renderam’, mas por que eles ainda não se renderam", disse.
"Por que, sob essa pressão, com a quantidade de poder naval e marítimo presente lá, eles não vieram até nós e disseram: ‘Declaramos que não queremos uma arma, então aqui está o que estamos dispostos a fazer’? E ainda assim é meio difícil levá-los a esse ponto", acrescentou o enviado.
Nas últimas semanas, Trump determinou um reforço significativo das forças americanas no Oriente Médio e preparativos para um possível ataque aéreo prolongado contra o Irã. Teerã, por sua vez, ameaçou atacar bases americanas caso seja alvo de ofensiva.
Os Estados Unidos exigem que o Irã abandone o enriquecimento de urânio — que, segundo Washington, pode ser usado na fabricação de bombas —, interrompa o apoio a militantes na região e aceite limites para seu programa de mísseis.
O governo iraniano nega buscar armas nucleares e afirma que seu programa tem fins pacíficos. Teerã diz estar disposto a aceitar algumas restrições em troca do alívio de sanções financeiras, mas rejeita vincular o tema a outras questões, como mísseis e apoio a grupos armados.
Segundo Witkoff, o Irã estaria enriquecendo urânio “muito além do necessário para energia nuclear civil”, chegando a 60% de pureza físsil. Ele afirmou que o país estaria “a uma semana” de obter material em nível industrial para a fabricação de bombas, classificando a situação como “realmente perigosa”.
Um alto funcionário iraniano disse à Reuters que ainda há divergências entre os dois países sobre o alívio de sanções nas negociações.
Witkoff também afirmou que, por orientação de Trump, se reuniu com o opositor iraniano Reza Pahlavi, filho do xá deposto na Revolução Islâmica de 1979, mas não deu detalhes sobre o encontro.
Pahlavi, que vive no exílio, tornou-se referência para parte da oposição durante protestos antigoverno no mês passado — considerados a pior onda de agitação interna desde a revolução —, nos quais acredita-se que milhares de pessoas tenham morrido.
No início de fevereiro, Pahlavi declarou que uma intervenção militar dos EUA poderia salvar vidas e pediu que Washington não demorasse nas negociações com o governo iraniano.
Autoridades americanas e iranianas mantiveram conversas indiretas na Suíça para tentar conter o programa nuclear iraniano, e afirmaram ter feito progressos. Ainda assim, Trump declarou que o mundo saberia “nos próximos, provavelmente, 10 dias” se um acordo seria alcançado ou se os EUA adotariam medidas militares.
Enquanto isso, protestos voltaram a ocorrer em universidades iranianas. Imagens verificadas pela BBC mostram manifestações na Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, além de registros em outras instituições da capital e em Mashhad. Há relatos de confrontos entre grupos pró e antigoverno.
A agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA, afirma ter confirmado a morte de pelo menos 7.015 pessoas na recente onda de protestos, incluindo manifestantes, crianças e pessoas ligadas ao governo.
As autoridades iranianas, por sua vez, disseram que mais de 3.100 pessoas morreram, a maioria integrantes das forças de segurança ou civis atacados por manifestantes. Trump já manifestou apoio a protestos no Irã anteriormente, afirmando que "a ajuda está a caminho".
(*) Com informações da Reuters e da BBC