Repórter
Publicado em 30 de junho de 2026 às 10h20.
O Irã voltou a negar que realizará negociações com os Estados Unidos em Doha nesta terça-feira, contrariando a declaração do presidente Donald Trump de que representantes dos dois países discutiriam o programa nuclear iraniano no Catar.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, a delegação de Teerã viajará ao país com o único objetivo de tratar da liberação de ativos iranianos bloqueados no exterior, prevista no memorando de entendimento firmado entre os dois governos em junho.
"Não haverá nenhuma negociação, em nenhum nível, com a parte americana", afirmou Baghaei, de acordo com a agência estatal IRNA. O porta-voz acrescentou que uma eventual presença de representantes dos Estados Unidos em Doha não tem relação com a missão iraniana.
Na segunda-feira, Trump afirmou que enviados da Casa Branca, entre eles Steve Witkoff e Jared Kushner, se reuniriam com autoridades iranianas para discutir o programa nuclear de Teerã.
Segundo o governo iraniano, a prioridade neste momento é a implementação do memorando de entendimento assinado em 17 de junho, especialmente a cláusula que prevê a liberação dos recursos financeiros bloqueados.
Baghaei afirmou que o país ainda não entrou na fase de negociação de um acordo definitivo. De acordo com o memorando, essas conversas só poderão começar após o cumprimento de compromissos como o fim das hostilidades em todas as frentes, a normalização da navegação no Estreito de Hormuz, a liberação dos ativos iranianos e a suspensão das sanções sobre o petróleo e os produtos petroquímicos do país.
O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, reforçou que não haverá diálogo com Washington em Doha e afirmou que o governo criou um grupo de trabalho para monitorar a implementação do acordo. Segundo ele, as reuniões entre equipes técnicas só ocorrerão quando todas as condições previstas no memorando forem atendidas.
O entendimento entre Irã e Estados Unidos foi firmado em 21 de junho com o objetivo de estabelecer um roteiro de 60 dias para um acordo de paz definitivo, incluindo o programa nuclear iraniano.
Desde então, porém, a trégua foi colocada sob pressão após ataques iranianos contra embarcações na região do Estreito de Hormuz, seguidos por bombardeios americanos a alvos militares no sul do Irã e, posteriormente, por ataques de Teerã contra bases dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein.
*Com EFE