Petróleo: WTI e Brent recuam cerca de 20% no mês. (Imagem gerada por IA/ChatGPT/Reprodução)
Repórter de Invest
Publicado em 30 de junho de 2026 às 08h37.
O barril de petróleo pode fechar junho com queda de cerca de 20%, pressionado por certo otimismo diante das incertezas sobre o rumo das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Os contratos futuros do Brent subiam 0,20%, cotados a US$ 74,00 o barril, por volta das 8h30 (horário de Brasília).
Ainda assim, caminham para terminar o mês cerca de 20% abaixo do fechamento de 29 de maio. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, cedia 0,04%, a US$ 70,72, apontando para um recuo no mês próximo de 19%.
A confusão em torno de uma possível reunião hoje em Doha, no Catar, resume bem os últimos dias de contradições entre os países. O presidente estadunidense Donald Trump afirmou que o encontro vai acontecer, enquanto o Irã nega oficialmente qualquer agenda marcada.
Na sua rede social Truth Social, Trump disse que o Irã havia "pedido uma reunião" depois de uma troca de ataques entre os dois no fim de semana, e afirmou que o encontro ocorreria já na terça. A versão, porém, não foi confirmada pelo outro lado da guerra, que assola o Oriente Médio desde o fim de fevereiro.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã negou que houvesse qualquer conversa agendada para os próximos dias. O representante iraniano disse que a visita de uma delegação técnica do país ao Catar nesta semana não tem relação com uma eventual reunião com os EUA.
Os dois países assinaram, no dia 17 de junho, um memorando de entendimento com 14 pontos para interromper os confrontos que vinham afetando o fluxo global de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente.
Analistas do setor de energia dizem ter se surpreendido com a velocidade da queda nos preços do petróleo. O ING avaliou que o comportamento sugere que o mercado está tratando o cessar-fogo temporário "como se fosse um acordo permanente", o que, para os estrategistas, "claramente não é o caso".
A instituição lembrou que a situação já mudou rapidamente várias vezes nos últimos quatro meses e ponderou que seria "muito otimista" esperar que um acordo permanente, capaz de resolver a questão nuclear iraniana, seja fechado dentro do prazo de 60 dias estabelecido.
"É claro que sempre existe a possibilidade de o cessar-fogo ser prorrogado, o que, na prática, seria apenas adiar o problema", complementou em fala divulgada pela CNBC.