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Houthis e Arábia Saudita trocam ataques no Mar Vermelho

Conflito na rota alternativa a Ormuz se torna novo foco da guerra Irã-EUA

Houthis: escalada militar entre grupo rebelde, apoiado pelo Irã, e o reino saudita, aliado dos Estados Unidos, ameaça a rota marítima alternativa ao Estreito de Ormuz (AFP)

Houthis: escalada militar entre grupo rebelde, apoiado pelo Irã, e o reino saudita, aliado dos Estados Unidos, ameaça a rota marítima alternativa ao Estreito de Ormuz (AFP)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 24 de julho de 2026 às 17h48.

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Os Houthi do Iêmen e a Arábia Saudita trocaram ataques no Mar Vermelho nesta quinta-feira, 24, de acordo com as autoridades de ambos os lados do conflito. A escalada militar entre grupo rebelde, apoiado pelo Irã, e o reino saudita, aliado dos Estados Unidos, ameaça a rota marítima alternativa ao Estreito de Ormuz.

Segundo a agência oficial saudita SPA, o navio NCC MASA, pertencente a uma empresa da Arábia Saudita, foi atingido enquanto navegava pelo Mar Vermelho. De acordo com autoridades do setor de transportes do país, a embarcação sofreu danos leves no casco, sem informações sobre vítimas ou interrupção da viagem.

Pouco antes, a imprensa ligada aos Houthis informou que a Arábia Saudita realizou uma série de bombardeios contra a província de Hodeida, cidade portuária controlada pelos rebeldes na costa do Mar Vermelho. Moradores relataram explosões na região.

Ainda segundo o canal Al-Masirah, controlado pelo grupo, os ataques sauditas atingiram instalações da autoridade de telecomunicações em Hodeida e também a ilha de Kamaran, importante ponto estratégico na costa iemenita. A emissora afirmou ainda que uma mulher ficou ferida durante os bombardeios na ilha.

Bloqueio do Mar Vermelho

Os Houthis anunciaram nesta segunda-feira, 20, um bloqueio à navegação no Mar Vemelho , ampliando a crise no Oriente Médio para uma das principais rotas marítimas do comércio internacional.

Segundo o porta-voz militar dos Houthis, Yahya Saree, o grupo passou a impor um "embargo marítimo" contra a Arábia Saudita em resposta ao que classificou como um bloqueio imposto por Riad aos portos e aeroportos localizados em áreas sob controle da organização no norte e oeste do Iêmen.

Embora o grupo não tenha detalhado como pretende executar a medida, integrantes da estrutura de comunicação dos Houthis afirmaram que o objetivo é impedir a passagem de embarcações sauditas pelo estreito de Bab al-Mandab, corredor marítimo que liga o Golfo de Áden ao Mar Vermelho e serve de acesso ao Canal de Suez.

A Arábia Saudita condenou poucas horas depois o anúncio feito pelos Houthis. Com o bloqueio, os rebeldes ameaçam a capacidade do maior exportador de petróleo mundial de contornar o Estreito de Ormuz.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da monarquia do Golfo afirmou "expressar a mais veemente condenação do Reino da Arábia Saudita às declarações feitas pelo suposto porta-voz militar da milícia terrorista Houthi... impondo um bloqueio marítimo ao Reino", acrescentando que Riad "continua a apoiar o povo iemenita irmão e seu governo legítimo".

Corredor marítimo ganhou importância estratégica

O Bab al-Mandab tem cerca de 32 quilômetros de largura em seu trecho mais estreito e conecta o Golfo de Áden ao Mar Vermelho. Desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em outubro de 2023, os Houthis passaram a lançar drones, mísseis e ataques contra navios mercantes que cruzavam a região, afirmando agir em apoio aos palestinos.

Os ataques reduziram drasticamente o fluxo de embarcações pelo corredor marítimo, levando empresas de navegação a desviarem suas rotas para o extremo sul da África, pelo Cabo da Boa Esperança, o que elevou custos de transporte e aumentou o tempo das viagens.

Mesmo após uma pausa nas ofensivas durante um cessar-fogo em Gaza, o tráfego pelo estreito ainda não retornou aos níveis anteriores.

Dados de empresas de monitoramento marítimo indicam que aproximadamente 7,4 milhões de barris de petróleo e derivados passaram diariamente pelo Bab al-Mandab em junho, volume equivalente a cerca de 7% da produção mundial.

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