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Guerra na Venezuela traria onda de refugiados ao Brasil, diz especialista

Governo dos EUA tem ameaçado invadir país da América do Sul e reforçou presença militar na costa do país

Apoiadores do presidente Nicolás Maduro fazem Marcha Antimperialista, contra ameaças dos EUA, em Caracas, em 1º de dezembro (Miguel Gutierrez/EFE)

Apoiadores do presidente Nicolás Maduro fazem Marcha Antimperialista, contra ameaças dos EUA, em Caracas, em 1º de dezembro (Miguel Gutierrez/EFE)

Publicado em 2 de dezembro de 2025 às 06h01.

Uma eventual guerra na Venezuela, que pode ser iniciada por uma invasão dos Estados Unidos,  pode ter um efeito importante para o Brasil: levar a uma nova onda de refugiados venezuelanos rumo ao país.

“Provavelmente, uma invasão americana significaria que a classe média venezuelana, os que pudessem sair do país, sairiam. A fronteira brasileira voltaria a ficar bastante tensa", avalia Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM.

O especialista aponta que estes refugiados também poderão se espalhar por outros países da região. A população da Venezuela é estimada em 28 milhões de pessoas.

"A Colômbia já tem 3 milhões de venezuelanos. O Brasil tem 600.000. Isso resultaria em refugiados do Peru até a Argentina. Uma invasão implicaria uma elevação de refugiados da guerra muito forte", diz Trevisan.

Segundo dados do último censo, de 2022, havia 271,5 mil imigrantes venezuelanos vivendo no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2010, os imigrantes da Venezuela somavam apenas 2,9 mil, ou seja, uma população no Brasil quase 100 vezes menor do que a atual.

Confronto com a Rússia

O professor aponta, ainda, que uma eventual invasão americana envolveria a Rússia, que tem diversas parcerias com o governo Maduro.

“[Uma invasão] significaria um confronto direto com os armamentos que a Rússia colocou na Venezuela. Isso implicaria num confronto direto até com assessores russos que estão na Venezuela. Haveria uma situação internacional muito tensa na América Latina toda. Tudo isso teria efeitos geopolíticos significativos", avalia Trevisan.

“Do ponto de vista militar, imaginar que a Venezuela vai ceder inteiramente o seu território e não vai entrar numa situação de confronto, de guerrilha, usando as armas russas é um devaneio. Não é a mesma coisa que foi há 50 anos tomar o Panamá. São situações completamente diferentes. Lembrando que tomar o Panamá custou mais de 300 soldados mortos”, diz Trevisan, em alusão à invasão panamenha pelos Estados Unidos em 1989, a fim de depor o presidente Manuel Noriega, também procurado por autoridades americanas sob acusações de tráfico de drogas.

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