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Groenlândia reage a Trump: “Não queremos ser americanos”

Na sexta-feira, durante uma reunião com executivos do setor de petróleo focada na exploração venezuelana, Trump afirmou que alcançaria seu objetivo na Groenlândia “por bem ou por mal”

Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 15h07.

A Groenlândia rejeitou de forma categórica a possibilidade de se tornar território dos Estados Unidos, depois que o presidente americano, Donald Trump, voltou a ameaçar o uso da força para anexar a região autônoma dinamarquesa, rica em minerais.

O republicano tem repetido que o controle da ilha seria “crucial” para a segurança nacional dos EUA, citando o aumento da presença militar da Rússia e da China no Ártico.

Na sexta-feira, durante uma reunião com executivos do setor de petróleo focada na exploração venezuelana, Trump afirmou que alcançaria seu objetivo na Groenlândia “por bem ou por mal”.

A resposta veio ainda na noite de sexta-feira. Os líderes dos cinco partidos representados no Parlamento da Groenlândia divulgaram uma declaração conjunta: “Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses”.

O texto reúne os quatro partidos que compõem o governo e também a legenda de oposição que defende uma independência mais rápida em relação à Dinamarca.

“O futuro da Groenlândia deve ser decidido pelos groenlandeses”, concluíram.

Nas ruas, a ideia também encontra resistência.

Esse é o sentimento de Julius Nielsen, pescador de 48 anos, em Nuuk, a capital do território ártico, que foi colônia dinamarquesa até 1953 e obteve autonomia 26 anos depois.

“Americanos? Não! Fomos colônias por muitos anos. Não queremos voltar a ser colônia”, disse à AFP.

“Acho que a relação entre Dinamarca e Groenlândia funciona bem”, afirmou Inaluk Pedersen, vendedora de 21 anos. Mas, segundo ela, “a interferência dos Estados Unidos parece estar abalando a relação e corroendo a confiança”.

A Dinamarca e outros aliados europeus demonstraram preocupação com as declarações de Trump sobre assumir o controle da ilha, onde Washington mantém uma base militar desde a Segunda Guerra Mundial.

De acordo com uma pesquisa divulgada neste sábado pela agência dinamarquesa Ritzau, 38,3% dos dinamarqueses acreditam que os Estados Unidos podem invadir a Groenlândia durante a presidência de Trump.

Rivalidade com Rússia e China

A Casa Branca afirmou — sem descartar o caminho militar — que o presidente está “ativamente” avaliando a possibilidade de comprar a ilha.

Ainda assim, Trump insistiu na sexta-feira que não permitirá que “a Rússia ou a China ocupem a Groenlândia”.

Os dois países ampliaram sua presença militar na região do Ártico nos últimos anos, embora nenhum deles tenha reivindicado o vasto território. Nuuk e Copenhague também rejeitam o argumento apresentado por Trump.

“Não concordamos com a ideia de que a Groenlândia seria inundada por investimentos chineses”, declarou nesta semana o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen.

Desde 1951, Estados Unidos e Dinamarca mantêm um acordo de defesa que, na prática, garante às forças americanas amplo acesso à Groenlândia, desde que as autoridades locais sejam notificadas.

Em entrevista ao The New York Times na quinta-feira, Trump reconheceu que pode ter de escolher entre preservar a integridade da Otan e manter o controle desse território ártico.

A Dinamarca — incluindo a Groenlândia — é membro da Otan, e uma eventual anexação da ilha pelos EUA colocaria “tudo” em risco, ou seja, a Aliança Atlântica e a arquitetura de segurança do pós-Segunda Guerra, alertou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen.

Nesse contexto, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, deve se reunir na próxima semana com o chanceler dinamarquês e representantes da Groenlândia para discutir a situação.

Em janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses se declaravam contra a adesão aos Estados Unidos, segundo uma pesquisa publicada na imprensa local. Apenas 6% eram favoráveis à ideia.

*Com informações da AFP

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