Donald Trump: presidente dos EUA e sua equipe estão avaliando diversas opções para adquirir a Groenlândia. (Roberto Schmidt/Getty Images)
Repórter
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 06h15.
Última atualização em 7 de janeiro de 2026 às 06h17.
Os governos da Groenlândia e da Dinamarca solicitaram nesta terça-feira, 6, uma reunião com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, após o presidente americano Donald Trump reiterar declarações sobre a possibilidade de anexação do território autônomo dinamarquês no Ártico.
Segundo a chefe da diplomacia da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, o pedido tem como objetivo discutir diretamente as declarações feitas por autoridades americanas. O chanceler dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, afirmou que a conversa deve servir para “dissipar alguns mal-entendidos”.
O movimento ocorre em um momento em que Washington volta a demonstrar interesse estratégico pela região, onde já mantém uma base militar permanente.
Ainda na terça-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump e sua equipe estão avaliando diversas opções para adquirir a Groenlândia, incluindo "a utilização das Forças Armadas dos EUA".
A Groenlândia concentra jazidas inexploradas de terras raras, insumos considerados estratégicos para cadeias industriais ligadas a tecnologia, energia e defesa. Além disso, o avanço do degelo no Ártico tem ampliado a atenção sobre novas rotas marítimas, com potencial de reduzir distâncias logísticas entre mercados globais.
Trump afirmou no domingo que uma decisão sobre a Groenlândia poderia ser tomada “em cerca de dois meses”, após a redução das prioridades relacionadas à Venezuela, onde forças americanas capturaram o presidente deposto Nicolás Maduro.
O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, voltou a afirmar que a ilha não está à venda e que apenas a população local pode decidir sobre o futuro do território.
Após as declarações de Trump, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polônia e Espanha se uniram à Dinamarca em uma manifestação conjunta de apoio à soberania da Groenlândia. Os líderes destacaram os princípios de integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras.
Em nota, o grupo ressaltou que o Reino da Dinamarca — que inclui a Groenlândia — é membro da Otan e que a segurança no Ártico deve ser tratada de forma coletiva, em cooperação com os aliados, incluindo os Estados Unidos.
O presidente francês Emmanuel Macron e os chefes de governo de Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca afirmaram que qualquer cooperação na região deve respeitar os princípios da Carta das Nações Unidas.
*Com informações das agências AFP e O Globo.