Repórter
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 11h58.
O governo dos Estados Unidos emitiu um alerta nesta terça-feira, 13, para que cidadãos americanos no Irã deixem o país imediatamente.
O comunicado acontece durante a escalada de protestos em todo o país. Segundo a nota, há reforço das medidas de segurança, bloqueios de estradas, interrupções no transporte público e restrições severas ao acesso à internet.
As autoridades americanas recomendam que cidadãos dos EUA deixem o país imediatamente e não contem com assistência do governo para a saída. Para quem não conseguir deixar o território iraniano, a orientação é buscar abrigo seguro, manter estoques de água, alimentos e medicamentos, evitar manifestações e reduzir a exposição pública.
O comunicado destaca que cidadãos com dupla nacionalidade americana e iraniana devem deixar o Irã utilizando passaporte iraniano, já que o país não reconhece dupla cidadania. Segundo o governo dos EUA, cidadãos americanos poderiam enfrentar risco elevado de interrogatório, prisão ou detenção, especialmente se apresentarem documentos dos Estados Unidos ou demonstrarem vínculos com o país.
Entre as rotas de saída mencionadas, as fronteiras terrestres com a Armênia e a Turquia permanecem abertas. Já o acesso ao Azerbaijão pode ser restringido em momentos de tensão regional, enquanto a entrada no Turcomenistão exige autorização especial prévia. O governo americano desaconselha qualquer deslocamento para Afeganistão, Iraque ou áreas da fronteira entre Irã e Paquistão.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira, 12 de janeiro, que vai aplicar tarifa de 25% aos produtos provenientes de países que fecharem negócios com o Irã. A decisão eleva a pressão sobre o governo iraniano, que enfrenta uma onda de protestos em diversas regiões do país.
Em uma publicação na rede social Truth Social, o republicano afirmou que a decisão é definitiva e que as taxações podem entrar em vigor imediatamente. Até o momento, não há documentos oficiais publicados que detalhem o escopo da medida.
"Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível", diz o texto.
As manifestações no Irã foram impulsionadas inicialmente por uma crise cambial e pelo agravamento das condições econômicas. Com o passar das semanas, os protestos passaram a direcionar críticas ao regime, representando o maior desafio ao governo desde a Revolução Islâmica de 1979.
Relatos apontam que centenas de milhares de pessoas participaram dos atos no último fim de semana. O número de mortos já ultrapassa 500, com mais de 10 mil detidos, segundo a Bloomberg.
Trump manifestou apoio aos manifestantes e alertou o governo iraniano sobre o uso da força contra a população. Em entrevista à Fox News, afirmou que os Estados Unidos reagiriam “com muita força” se o Irã continuasse reprimindo os protestos.
Os serviços de internet e telefonia no Irã estão fora do ar desde a última quinta-feira, 8, quando o governo impôs um apagão em meio aos protestos. A medida é vista como uma estratégia para dificultar a organização dos atos e limitar a divulgação e relatos da repressão.
As manifestações começaram no fim de dezembro e foram motivadas, de início, pela disparada nos preços dos alimentos básicos após o governo encerrar um programa de subsídios cambiais. Os primeiros atos aconteceram nos bazares do Teerã, dos comerciantes conhecidos como bazaris, grupo tradicionalmente alinhado ao regime.
Com o avanço dos protestos, a população passou a questionar também a liderança religiosa que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.
Grupos e entidades de proteção aos direitos humanos relataram uma escalada da violência nas últimas duas semanas. A organização HRANA, sediada nos Estados Unidos, afirma ter verificado a morte de pelo menos 490 manifestantes e 48 agentes de segurança, além da prisão de mais de 1.600 pessoas. O governo iraniano não divulgou números oficiais e a Reuters não conseguiu verificar os dados de forma independente.