Futuro das energias renováveis na Espanha é incerto

Governo espanhol cortou a ajuda ao setor como parte de seu programa para diminuir o déficit público

Madri - As energias renováveis têm sido um dos carros-chefe da indústria espanhola e de sua capacidade de exportar ao mundo todo, mas as novas medidas de governo de fim dos incentivos governamentais ao setor têm gerado pânico entre seus profissionais e produzido uma série de questionamentos sobre o futuro do segmento.

Desde o início da crise econômica de 2008, as energias renováveis foram um dos primeiros setores a sofrer os cortes orçamentários.

O novo governo conservador, comprometido com uma rigorosa política de redução do déficit público, anunciou na sexta-feira a "suspensão temporária" das ajudas às novas instalações de produção de energia renovável.

Esta medida permitirá economizar ao menos 160 milhões de euros este ano, em um momento em que o governo recebeu pedidos de ajudas para projetos de uma capacidade de 500 megawatts, disse o ministro de Indústria, José Manuel Soria.

Os industriais do setor temem as consequências desastrosas para o emprego geradas por estas medidas e os ecologistas a vêem como "um passo atrás" para um país líder nas energias sustentáveis.

A indústria das energias "verdes", que já perderam 20.000 postos de trabalho entre 2008 e 2010, perderão outros tantos apenas em 2012, diz o diretor do grupo de empresas, Fundações Renováveis, Javier Breva.

"O que me preocupa mais são as outras centenas de milhares de empregos que deixarão de ser criados", afirmou, lembrando que o governo anterior socialista, que deixou o poder em dezembro, havia previsto a criação de 300.000 postos de trabalho neste setor até 2020.

"Quem irá investir no setor de energias renováveis depois deste decreto?", questiona Breva. "Creio que é um ataque à competitividade da economia espanhola", completou.


Graças às ajudas públicas, as energias renováveis registraram nos últimos anos um forte crescimento na Espanha, que se converteu no maior produtor de energia eólica da Europa e só perdendo para Estados Unidos e China a nível mundial.

Em 2011, as energias verdes cobriram 33% da demanda de eletricidade do país.

Os parques eólicos floresceram nas planícies da região de Castilla-La Mancha, no centro do país. Andalucía, no sul, aproveita suas muitas horas de sol para receber instalações solares de alta tecnologia.

Aproveitando os financiamentos do governo, a gigante da eletricidade Iberdrola se converteu no maior produtor mundial de energia verde e instalou parques no Brasil e Estados Unidos, enquanto que a Gamesa se tornou o maior produtor mundial de energia eólica.

Contudo, desde o final de 2008, o governo socialista começou a reduzir as ajudas. Para as eólicas, as prestações recuarão 35% até 2013.

Nessas condições, "muitas sociedades não sobreviverão até o final do ano", diz o José Antonio González, diretor do Fenie, um grupo de empresas de eletricidade e telemática.

"Somos pioneiros e temos que criar postos de trabalho na Espanha, mas desta forma não vamos conseguir", lamenta, enquanto o país passa por uma taxa de desemprego de 22,85%.

O governo assegura que a suspensão de subvenções anunciada na sexta-feira "não afeta" a meta da Espanha de respeitar o compromisso europeu de ter 20% de toda energia consumida vinda de fontes renováveis até 2020.

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