Mundo

Exército da Venezuela reconhece vice de Maduro como presidente do país

Militares venezuelanos afirmaram que estão "unidos, coesos, diante da agressão imperial", ao descrever os ataques americanos de sábado em Caracas

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 15h04.

Última atualização em 4 de janeiro de 2026 às 16h10.

As Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) reconheceram neste domingo, 4,  a decisão da Câmara Constitucional da Suprema Corte de Justiça (TSJ), que na noite de sábado ordenou que Delcy Rodríguez, vice-presidente de Nicólas Maduro, assumisse como presidente responsável pelo país.

O comunicado foi transmitido no canal estatal Venezolana de Televisión (VTV). O ministro da Defesa do pais, Vladimir Padrino López, foi responsável por ler a mensagem do alto comando militar venezuelano. 

O alto comando afirmou também que apoia "totalmente" o decreto de agitação externa declarado no dia anterior e que concede ao Estado poderes especiais para tomar medidas em situações de conflito.

O decreto pode aprovar poderes como, por exemplo, mobilizar as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) em todo o território, assumir imediatamente a infraestrutura dos serviços públicos, bem como a indústria de hidrocarbonetos e empresas básicas, garantir sua "operação total" e ativar "todos os planos de segurança cidadãos".

No entanto, o texto não é público e o alcance de suas medidas é desconhecido.

Exército pede que população retome atividades

Padrino pediu ainda para que a população retome suas atividades econômicas, laborais e educacionais nos próximos dias.

"O Governo Bolivariano garantirá a governabilidade do país e nossa instituição continuará a usar todas as suas capacidades disponíveis para defesa militar, manutenção da ordem interna e preservação da paz", afirmou.

Padrino também ordenou que "integrassem os elementos do poder nacional" para "enfrentar a agressão imperial, formando um bloco único de combate" para garantir a soberania da Venezuela.

Os militares afirmaram que estão "unidos, coesos, diante da agressão imperial", ao descrever os ataques americanos de sábado em Caracas.

Apesar do apoio a vice, o comando militar do país afirmou que Nicolás Maduro é o presidente constitucional do país e exigiu sua "libertação rápida" junto com a primeira-dama, Cilia Flores, que também foi capturada pelos Estados Unidos.

"O presidente Nicolás Maduro é o líder constitucional autêntico e genuíno de todos os venezuelanos", disse. 

Maduro passou sua primeira noite no Centro de Detenção Metropolitano no Brooklyn, Nova York.

O presidente venezuelano, formalmente acusado em 2020 pelo Escritório do Procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, que no sábado tornou pública uma acusação substituta nesse mesmo tribunal, enfrentará acusações no tribunal federal de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos e crimes relacionados a armas automáticas.

Acompanhe tudo sobre:VenezuelaDonald TrumpEstados Unidos (EUA)

Mais de Mundo

Choque e medo marcam bairro atingido por bombardeio dos EUA na Venezuela

Vice de Maduro pagará 'preço muito alto' se não cooperar, diz Trump

Seguranças de Maduro foram mortos em ataque dos EUA, diz exército da Venezuela

Brasil e outros 5 países condenam tentativa de controle da Venezuela