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Eurodeputados criticam UE por acordo migratório com Turquia

Para frear a chegada de migrantes que desestabiliza politicamente a União Europeia, Ancara receberá uma ajuda adicional de 3 bilhões de euros

Refugiados: o projeto de acordo alcançado com Ancara visa à expulsão dos refugiados que chegam à Grécia a partir da Turquia (Marko Djurica / Reuters)
DR

Da Redação

Publicado em 9 de março de 2016 às 13h54.

O princípio de acordo alcançado segunda-feira entre os líderes da União Europeia e a Turquia para frear o fluxo de migrantes do bloco foi duramente criticado na Eurocâmara, onde se censurou o fato de o mesmo "entregar as chaves da porta da Europa" ao presidente Recep Erdogan.

Da direita ou da esquerda, ecologistas, liberais ou populistas, os deputados, reunidos no plenário em Estrasburgo (leste da França) criticaram, em um debate, o projeto de acordo alcançado com Ancara, que visa à expulsão dos refugiados que chegam à Grécia a partir da Turquia.

"Não nego que precisemos de acordos práticos e técnicos com a Turquia para enfrentar a situação, mas isso não é um acerto prático ou técnico, é um acordo com a Turquia no qual nossos problemas são terceirizados", afirmou o chefe da bancada dos liberais, Guy Verhofstadt.

"É um acordo com o qual estamos colocando as chaves da porta de entrada da Europa nas mãos da Turquia, dos sucessores do Império Otomano, de Erdogan, ou melhor, do sultão Erdogan", acrescentou.

Os dirigentes europeus e turco se deram como prazo até a cúpula prevista para esta quinta e sexta-feira para finalizar o acordo, que incluirá a expulsão dos refugiados que entrarem ilegalmente na Grécia e a UE se comprometerá, em compensação, a readmitir a entrada em seu território, por uma via legal, de refugiados que se encontram nos acampamentos turcos.

Por esta cooperação da Turquia para frear a chegada de migrantes que desestabiliza politicamente a União Europeia, Ancara receberá uma ajuda adicional de 3 bilhões de euros, uma cifra igual à acertada em novembro.

Além disso, os turcos que viajarem para a UE serão submetidos a um regime de vistos mais flexível a partir de junho e serão aceleradas as negociações para a adesão da Turquia ao bloco.

Comentando as exigências, Manfred Weber, presidente do grupo PPE (direita), pediu para que não se dê "um cheque em branco" a Ancara e classificou, além disso, como inaceitáveis as violações da liberdade de imprensa na Turquia.

"Não se pode misturar diálogo sobre refugiados com as negociações sobre a adesão à UE", sentenciou, por sua vez, o líder da bancada socialista, Gianni Pittella.

Já o vice-presidente do grupo dos Verdes, Philippe Lamberts, criticou o que chamou de fracasso moral. "Botamos o tapete vermelho para um regime que amordaça a imprensa (...) e bombardeia sua população", afirmou, aludindo ao conflito curdo.

"Este acordo supõe uma guinada brutal na estratégia de gestão da crise dos refugiados; decidimos, na realidade, subcontratar o direito de asilo que, na prática, acaba com ele", comentou a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu, a socialista Elena Valenciano.

A sessão parlamentar também esteve marcada por comentários racistas de um eurodeputado grego do Amanhecer Dourado. Ele foi expulso das discussões pelo presidente do parlamento, Martin Schulz.

Eleftherios Synadinos insultou os turcos, afirmando que, "como descrevem os letrados otomanos: o turco é um bárbaro de espírito, blasfemador, obtuso e sujo. O turco é como um cão: se faz de feroz mas quando tem de enfrentar um adversário, foge".

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O princípio de acordo alcançado segunda-feira entre os líderes da União Europeia e a Turquia para frear o fluxo de migrantes do bloco foi duramente criticado na Eurocâmara, onde se censurou o fato de o mesmo "entregar as chaves da porta da Europa" ao presidente Recep Erdogan.

Da direita ou da esquerda, ecologistas, liberais ou populistas, os deputados, reunidos no plenário em Estrasburgo (leste da França) criticaram, em um debate, o projeto de acordo alcançado com Ancara, que visa à expulsão dos refugiados que chegam à Grécia a partir da Turquia.

"Não nego que precisemos de acordos práticos e técnicos com a Turquia para enfrentar a situação, mas isso não é um acerto prático ou técnico, é um acordo com a Turquia no qual nossos problemas são terceirizados", afirmou o chefe da bancada dos liberais, Guy Verhofstadt.

"É um acordo com o qual estamos colocando as chaves da porta de entrada da Europa nas mãos da Turquia, dos sucessores do Império Otomano, de Erdogan, ou melhor, do sultão Erdogan", acrescentou.

Os dirigentes europeus e turco se deram como prazo até a cúpula prevista para esta quinta e sexta-feira para finalizar o acordo, que incluirá a expulsão dos refugiados que entrarem ilegalmente na Grécia e a UE se comprometerá, em compensação, a readmitir a entrada em seu território, por uma via legal, de refugiados que se encontram nos acampamentos turcos.

Por esta cooperação da Turquia para frear a chegada de migrantes que desestabiliza politicamente a União Europeia, Ancara receberá uma ajuda adicional de 3 bilhões de euros, uma cifra igual à acertada em novembro.

Além disso, os turcos que viajarem para a UE serão submetidos a um regime de vistos mais flexível a partir de junho e serão aceleradas as negociações para a adesão da Turquia ao bloco.

Comentando as exigências, Manfred Weber, presidente do grupo PPE (direita), pediu para que não se dê "um cheque em branco" a Ancara e classificou, além disso, como inaceitáveis as violações da liberdade de imprensa na Turquia.

"Não se pode misturar diálogo sobre refugiados com as negociações sobre a adesão à UE", sentenciou, por sua vez, o líder da bancada socialista, Gianni Pittella.

Já o vice-presidente do grupo dos Verdes, Philippe Lamberts, criticou o que chamou de fracasso moral. "Botamos o tapete vermelho para um regime que amordaça a imprensa (...) e bombardeia sua população", afirmou, aludindo ao conflito curdo.

"Este acordo supõe uma guinada brutal na estratégia de gestão da crise dos refugiados; decidimos, na realidade, subcontratar o direito de asilo que, na prática, acaba com ele", comentou a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu, a socialista Elena Valenciano.

A sessão parlamentar também esteve marcada por comentários racistas de um eurodeputado grego do Amanhecer Dourado. Ele foi expulso das discussões pelo presidente do parlamento, Martin Schulz.

Eleftherios Synadinos insultou os turcos, afirmando que, "como descrevem os letrados otomanos: o turco é um bárbaro de espírito, blasfemador, obtuso e sujo. O turco é como um cão: se faz de feroz mas quando tem de enfrentar um adversário, foge".

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