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EUA e Irã retomam diálogo sobre programa nuclear em Omã

Primeira reunião diplomática ocorre após ataques de 2025 a instalações nucleares iranianas

Bandeira do Irã cobre parcialmente prédio atingido por míssil israelense em Teerã  (ATTA KENARE /AFP)

Bandeira do Irã cobre parcialmente prédio atingido por míssil israelense em Teerã (ATTA KENARE /AFP)

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 06h33.

Representantes dos Estados Unidos e do Irã se reúnem nesta sexta-feira, 6, em Omã, para discutir o programa nuclear iraniano. O encontro marca a retomada do diálogo direto entre os dois países após o conflito entre Israel e Irã, em junho do ano passado, quando Washington bombardeou as três principais instalações nucleares de Teerã.

A contenção da capacidade nuclear iraniana é uma prioridade histórica da política externa norte-americana. Em 2015, durante o governo de Barack Obama, foi firmado um acordo que limitava o enriquecimento de urânio e permitia inspeções internacionais, em troca do alívio de sanções econômicas.

O entendimento foi abandonado em 2018 pelo então presidente Donald Trump, sob o argumento de que os termos favoreciam excessivamente o Irã. Após a saída dos EUA, Teerã deixou de cumprir parte das restrições e elevou o nível de enriquecimento de urânio, material que pode ter uso militar.

O governo de Joe Biden tentou retomar o acordo, oferecendo novamente a flexibilização de sanções, mas as negociações não avançaram. Agora, em seu segundo mandato, Trump voltou a pressionar o Irã para limitar ou encerrar o programa nuclear, alegando que o país estaria próximo de desenvolver uma arma atômica. A acusação é rejeitada pelo governo iraniano, que sustenta fins pacíficos e energéticos.

Tensão militar e cenário interno no Irã

Na última semana, Trump afirmou considerar uma operação militar caso não haja avanço nas negociações. Uma frota liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln foi deslocada para a região, em uma mobilização superior à empregada na operação norte-americana na Venezuela, em janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro.

Apesar de prometerem uma “forte resposta” em caso de ataque, autoridades iranianas avaliam que as negociações representam a última oportunidade para evitar uma ação militar dos Estados Unidos. O cenário é agravado por protestos em massa no país desde dezembro de 2025.

A repressão às manifestações, que já deixou milhares de mortos, aumentou a pressão internacional sobre o regime iraniano e adiciona instabilidade ao contexto das negociações nucleares.

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