Economia

Produção industrial cai 1,8% em junho, maior queda em seis meses

Pesquisa do IBGE mostra retração disseminada entre os setores; indústria ainda acumula alta de 1,5% em 2026

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 11h51.

A produção industrial brasileira caiu 1,8% em junho na comparação com maio, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira, 4, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi a segunda queda consecutiva do indicador e a mais intensa desde dezembro de 2025, quando o setor havia recuado 1,9%.

Apesar do resultado, a indústria ainda acumula crescimento de 1,5% no primeiro semestre de 2026. No acumulado dos últimos 12 meses, a alta é de 0,7%.

Juros elevados pressionam a atividade industrial

Para economistas, o desempenho reflete um cenário de desaceleração da atividade. Embora o mercado de trabalho aquecido, o aumento da renda e os programas de incentivo do governo sustentem parte da demanda, o nível elevado da taxa de juros continua limitando investimentos e o consumo de bens financiados.

Segundo Stéfano Pacini, economista do FGV Ibre, os primeiros sinais de perda de ritmo da indústria começaram a aparecer e devem se intensificar ao longo do segundo semestre, mesmo com a expectativa de redução da Selic.

"Se, por um lado, temos programas e medidas que estimulam a produção, por outro temos uma conjuntura econômica mais desafiadora. Ela já está impactando as decisões de investimento", afirmou.

Queda foi disseminada entre os setores

As quatro grandes categorias econômicas pesquisadas registraram retração em junho. Os maiores recuos ocorreram em bens de consumo semi e não duráveis (-4,1%) e bens de consumo duráveis (-3,2%). Bens de capital (-1,1%) e bens intermediários (-1,1%) também encerraram o mês em queda.

Entre os 25 ramos industriais pesquisados pelo IBGE, 16 apresentaram redução na produção. O principal impacto negativo veio do segmento de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que caiu 5,9%, acumulando perda de 11,8% nos últimos dois meses.

Também registraram retração produtos químicos (-4,3%), alimentos (-1,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11%), confecção de vestuário (-11%), equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (-8,9%), outros equipamentos de transporte (-8,6%), produtos de borracha e plástico (-2,8%) e indústrias extrativas (-0,6%).

De acordo com André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, o período de chuvas afetou o processamento da cana-de-açúcar, reduzindo a produção de açúcar e etanol e contribuindo para o desempenho negativo da indústria de alimentos.

Nove atividades avançaram

Apesar do recuo generalizado, nove segmentos registraram crescimento em junho. O principal destaque foi o setor de celulose, papel e produtos de papel, que avançou 5,4% e acumula alta de 7,3% nos últimos três meses.

Também apresentaram desempenho positivo os segmentos de impressão e reprodução de gravações (20,2%) e metalurgia (1,4%).

*Com O Globo

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